É uma sensação estranha a carência. Faz tempo que não sinto tesão em nada, nem em ninguém, nem mesmo em mim. Mesmo que por dias eu precise apenas de orgasmos e alguns trocados para tomar café. O tesão não vem, está cansado ou saturado de insistir sempre nas mesmas piras. Dinheiro e orgasmos eu posso conseguir sozinha, o que eu não encontro é motivação para ganhar e gozar mais. Eu não me deixo ficar umedecida. Não há quem provoque meus instintos, e isso entristece. Quem sabe eu esteja doente, sei lá. Passei muito tempo sem estímulos, acredito que estou desacostumada a me excitar, desejo mais carinhos e palavras de afeto do que uma foda homérica. Estou carente de cuidados, é isso. Mentira, eu quero estar entre afagos, chupadas, beijos quentes e penetrações lentas. Algo assim, simples e carinhosamente selvagem. Quem me entende? Socorro! Já não sinto mais nada, só consigo sentir distâncias. Distância de pertencer ao tesão alheio, distância de fazer falta, distância. E mais distância. É a indiferença alheia me matando aos poucos, sou de pouca importância. Vou me deixar morrer um pouco, sem suplicar por salvação. Foram tantos "não te quero" que pra falar a verdade, já nem me importo mais. Eu sofria antes do tiro e velava um corpo antes mesmo de receber o atestado de óbito. Isso tudo é coisa que necessita de ânimo, ações impensadas e reações impetuosas. Deixo as minhas neuras e sofrimentos por ansiedade de herança para os jovens. Não possuo mais forças, com as minhas vontades eu simplesmente envelheci.
quinta-feira, 23 de março de 2017
DIVAGAÇÃO SOBRE ENVELHECER E QUERER SENTIR TUDO UM POUCO MENOS
É uma sensação estranha a carência. Faz tempo que não sinto tesão em nada, nem em ninguém, nem mesmo em mim. Mesmo que por dias eu precise apenas de orgasmos e alguns trocados para tomar café. O tesão não vem, está cansado ou saturado de insistir sempre nas mesmas piras. Dinheiro e orgasmos eu posso conseguir sozinha, o que eu não encontro é motivação para ganhar e gozar mais. Eu não me deixo ficar umedecida. Não há quem provoque meus instintos, e isso entristece. Quem sabe eu esteja doente, sei lá. Passei muito tempo sem estímulos, acredito que estou desacostumada a me excitar, desejo mais carinhos e palavras de afeto do que uma foda homérica. Estou carente de cuidados, é isso. Mentira, eu quero estar entre afagos, chupadas, beijos quentes e penetrações lentas. Algo assim, simples e carinhosamente selvagem. Quem me entende? Socorro! Já não sinto mais nada, só consigo sentir distâncias. Distância de pertencer ao tesão alheio, distância de fazer falta, distância. E mais distância. É a indiferença alheia me matando aos poucos, sou de pouca importância. Vou me deixar morrer um pouco, sem suplicar por salvação. Foram tantos "não te quero" que pra falar a verdade, já nem me importo mais. Eu sofria antes do tiro e velava um corpo antes mesmo de receber o atestado de óbito. Isso tudo é coisa que necessita de ânimo, ações impensadas e reações impetuosas. Deixo as minhas neuras e sofrimentos por ansiedade de herança para os jovens. Não possuo mais forças, com as minhas vontades eu simplesmente envelheci.
quarta-feira, 15 de março de 2017
C'EST FINI
Estava lendo linhas do raciocínio de Freud sobre ciúmes, não estava com ânimo para refletir e permaneci no começo do primeiro parágrafo era algo como "Não há o que se afirmar sobre o ciúme normal, mas é um sentimento parecido com o luto." Foi assim que me lembrei de você, lendo sobre ciúme como se ele fosse o que restasse após a morte.
De novo estou te tratando como defunto, meu caro. Sabe que sou difícil pra esquecer e superar certas coisas, mas não estou bem. Acho que está penando em meus caminhos... Olha, pode descansar em paz. Preciso parar de querer pensar em ti, e se continuar a me assombrar, não poderei deixar que descanse em paz.
De verdade, queria te reviver por um instante. Uma foda que fosse. Transar pra se despedir, quem sabe até conseguiria te matar de vez e seguisse meu caminho por aí vadiando com demônios sem se preocupar minhas aflições e anseios permanentemente desajustados. No entanto, enfraqueci, nem mesmo meu whisky eu encaro mais. Ando me contentando apenas com doses fracas. Inadmissível!
Nunca fui de respeitar lutos, muito menos de disfarçar crises de ciúmes, gosto mesmo é dos escândalos. Se por acaso algum dia reviver, escandalosamente eu te desejaria no meu café da manhã. Comeria cada órgão seu pra ter certeza de que, mesmo morto, ainda permanecesse dentro de mim. Queria poder deixar com que você brincasse de me matar e me deixar viver, entre asfixias e respirações profundas, me bastava te sentir por perto, mesmo que não fosse a única, ainda que me desmaiasse para encontrar com outra... Tenho um ponto fraco por migalhas, desculpa, as poses e falas de pouco casa sempre serão meras máscaras em mim. Se chegasse bem perto poderia decifrar o quão sou totalmente desgraçada das ideias e das vontades.
Vá de reto, siga pro inferno. Leve também minhas roupas rasgadas e esse ciúme idiota de quem consegue te deixar vivo. Pros diabos, você e sua felicidade! Não ressuscite afim de apenas me querer por perto e sem a intenção de me desgraçar , mesmo que os restos me interessem, sua compaixão pouco me importa. Te quero mesmo é com raiva de mim, mas nem isso eu provoco mais.
Tinha desistido de várias coisas, estava com preguiça de certos porres. Acho que é medo de cair na real de que não há vida mais em seus olhos. Já disse que pode parar de penar, vá pro fundo dos quintos. Aprodeça. Esse, definitivamente, é o nosso fim.