Vamos rosnar e não morder. Embora eu anseie pela marca de seus caninos em minhas coxas, proponho que elas existam apenas nas cruzadas rápidas que nossos olhares encontrarem, somente nas frações de tempo em que estivermos lembrando das horas e dias que passamos juntos. Me abrace forte e respire fundo ao meu ouvido, assim como antes, mas não dê bandeira que sente falta. Solte um riso irônico como código chave, entenderei e darei seguimento à farsa. Nossa convivência então será pautada na filosofia das artes marciais, saberemos os pontos fracos de cada um e como nos matar, mas não o faremos. Iremos apenas provocar.
Agora sejamos inimigos verdadeiros, quero que haja desconforto em estarmos juntos, pelo simples fato de sabermos como atiçar as feras que habitam em nós. Mesmo que eu deseje cada veia de seu cérebro pulsando em minha garganta, por mais que eu lembre dos suspiros fortes em cada puxão de cabelo que arrancou minha falsa frieza e me desconcertou diante de mim mesma. Por todas as vezes que me acordou para saciar suas vontades, por todos os apertos de mãos calorosos que demos em nossas chupadas, por nossos pecados observados por Satanás e também pelas doses fortes, porres e orgasmos intensos que compartilhamos. Sejamos cínicos e pacíficos, tão vagabundos e amáveis quanto cães de rua que não mais se acostumam em lares. Enfim, sejamos algo magnificamente podre. Vamos nos tratar como nobres vira latas. Eu suplico!
Leia meus quadris implorando pelos seus, percorra meu corpo com sua língua em pensamento, lance sobre mim seu olhar mais penetrante, permaneça em silêncio. Note nas minhas linhas e em minhas palavras a loucura que provocou nos meus gestos. Observe friamente. Sorria sarcasticamente. Veja no que me transformou. Judie. Tripudie diante disso, sei que te diverte - De certa forma a mim também -
Já que não pode mais prender minha coleira aos pés da cama, e nem possui mais as chaves de minhas algemas, por favor, lembre-se de mim como a louca que encantou, incendiou e assustou parte de suas noites. Você me deu espaço para entrar na sua vida, consentiu que me aproximasse e acolheu minha insanidade tão comum a sua. Talvez seja por essas coisas que eu te deteste, te queira longe, e mesmo assim, ainda peça por sua respiração em meus pulmões. Quem sabe seja por essas suas sandices que eu não saiba me comportar sem ti e muito menos diante de você. Algo em sua aura me dá um medo danado e uma vontade tremenda de estar por perto. Me procure pra sempre. Esqueça-se vagarosamente de mim.