sexta-feira, 27 de janeiro de 2017
UMA PRECE PARA ENLOUQUECER EM PAZ. - PARTE II
quinta-feira, 19 de janeiro de 2017
REFLEXÕES SOBRE HEMATOMAS E CASAIS DE METRÔ.
UiHá muitas coisas sobre as quais eu finjo entender bem e saio falando com propriedade, como se tivesse especialização de reconhecimento internacional pra sair propagando ideias alheias. Comento de filmes que assisti pela metade, ou de livros que só li o prólogo e ouvi comentários. Mas há uma coisa sobre a qual eu evito falar e detesto mais ainda presenciar. O tal do amor.
Não sei o que acontece, eu não consigo verbalizar esse sentimento sem que pontas de raiva surjam em meus olhos. Matei o amor com um luminoso punhal, às cinco horas na avenida. Sigo a vida aguardando o terceiro dia, e com ele a ressurreição. São 24 anos aguardando.
Gosto de gritar o que já vi e senti, o amor não existe nas minhas bandas. Não tenho motivos para exalta-lo em meus causos. Sempre amei em via única, acho que amei exageradamente em via única, numa velocidade muito acima do permitido por lei, cantando pneu e embriagada. Isso é assustador para a outra parte, eu sei. Com o tempo fui desacreditando desse sentimento e sofrendo calada. Até ler sobre amor me causa náuseas, são linhas e linhas de coisas impossíveis, é como comer um prato de açúcar e beber água do mar. Quem tem coragem de fazer uma merda dessas? Eu não. Amantes vivem uma fantasia chata de perfeição entre fodas e sofrimento, eu não tenho tempo pra me identificar com isso. Ninguém vive assim.
Esses dias saí com um cara, que conheço há uns 2 ou 3 anos, essa relação já passou da indiferença ao ódio, e hoje está em linha reta. Ele é o tipo de homem que nunca apareceu na minha vida, aquele que dá bom dia, elogia cabelo, roupa, boca - apesar de muita gente falar da minha boca como se fosse uma coisa de outro mundo, quando ela é apenas gigante, mas isso fica pra outra história -, pergunta como está o dia e almoça comigo sempre que pode. Eu gosto, mas acho estranho. Esse rapaz é um tipo que se vira muito bem sem mim, na época em que paramos de conversar ele estava namorando com uma guria meio perturbada e cheia de ciúmes de tudo e de todas. Tudo bem, cada um deve seguir sua vida . O que me deixou puta é que eu simplesmente fui apagada de tudo, não servia pra ser amiga, apenas pra dar uns beijos e dividir uns copos de vez em quando, pra sair sem a namorada saber ou pra ouvir as crises do relacionamento. Pro inferno! Guardei rancor enquanto pude, detesto ser lembrada apenas para situações de meio termo. Mas como toda boa trouxa, estou saindo com ele de novo e ouvindo elogios, marcando encontros em horário de trabalho e indo sempre no próximo metrô, porque fico trocando saliva em amassos na estação. Logo eu, que sempre detestei esses casais de transporte público. Aliás, logo eu que não gosto de nenhum casal. Todos me causam desconforto.
Acho que não sei ser um par normal, é difícil compartilhar meus problemas, abrir minha vida, andar de mão dadas e ter apelidos carinhosos. Acho tudo isso muito estranho. Não que eu não goste de carinho e de atenção. Sofro muito sem eles, mas não tenho o costume de ter alguém pensando em mim, e quando tenho, acho que é de brincadeira. É isso. Menosprezo casais, porque pra mim é tudo palhaçada. Um deve estar de sarro com o sentimento do outro, ou só nas minhas relações que não há recíproca? Desisto.
Hoje estava indo para o trabalho e parei em frente a uma banca de jornal, e nela tinha uma revista chamada Abusada. Aquelas de fotos pornográficas bem chulas. A capa era uma modelo bem arreganhada, com uma chamada assim "Masoquista. Só deixa entrar se bater." dei um sorriso de canto de boca, confesso. Talvez eu tenha me identificado. Não sei demonstrar amor sem transar. Não sei transar sem trocar uns tapas. Umas mordidas. Uns puxões de cabelo. Sem voltar pra casa com alguns hematomas. Eu sou masoquista por não saber falar de amor ou por gostar de apanhar?
Já me falaram que não é preciso apanhar no sexo para ser masoquista, que apenas amando você ganha o título. Bom, no domingo troquei o cara fofo por um ogro que já saí há uns tempos. Nossas conversas sempre são "me espera em tal lugar", a gente trepa e acabou. Algumas vezes isso me deixa mal, mas sexo é apenas sexo e nada mais que isso. A não ser que você queira que a foda seja mais alguma coisa. Diferentemente das outras transas, nessa os dois estavam possuídos pelo satanás, essa é a única explicação que pude encontrar. Apanhei tanto e levei tantas mordidas que estou com os roxos na bunda até hoje. Nem passei nada para que as marcas diminuíssem, sinto orgulho de ter ficado com alguns hematomas. É como quem sofre amando e fica com uma música, um perfume ou uma carta.
De certa forma, também só deixei entrar depois que bateram, igual a moça da revista podrenga. Não há muito o que nos diferencia em fetiches. Todos são um pouco masoquistas, podres e loucos. Ainda bem. E isso não é amor. Ficar de casalzice no metrô também não é. E o que é essa porra que me incomoda tanto? Não suporto nem amiga apaixonada. Acho que é recalque. Um recalque freudiano e chato pra porra, como qualquer coisa relacionada a Freud que ninguém consegue explicar. Muito menos eu.
segunda-feira, 9 de janeiro de 2017
QUANDO A PUTA DESPERTA EM MIM
Esses dias passeando por minha página no Facebook vi uma frase que resumiu muito alguns instantes de minha vida. Uma amiga simplesmente vomitou no "o que você está pensando?" e mandou, sem medo dos olhos direitosos, puritanos e conservadores, que vivem naquela rede social "Aqueles dias que a gente tá com a puta no corpo". Então eu tive que refletir e concordar, tem dias que uma puta também desperta em mim, e até mais bonita eu me sinto. Só quem sente o mesmo entenderá.
Santa Puta do batom vermelho, espartilho e salto alto. A divindade que roga por nós, suas pobres filhas que sofrem pelos mais variados tipos de canalhas, nas calcinhas pequenas e apertadas, no bojo amigo, na vontade que dá em gemer alto quando se está num silêncio de catedral, na depilação de cera quente ou nas sessões caras do laser, até mesmo naquela tirada de pêlo bem meia boca que faz a gente bater a gilete no box do banheiro. A Santa Puta está ali conosco, sempre nos deixando cair em tentação e não nos livrando do mal. Os dias em que ela acorda em nossos corpos, não há como exorcizar e tentar se salvar andando pelo caminho do céu. O negócio é correr pelada no deserto do Saara, dar a bunda pra bater.
Quando estou virada na vadia, não tem o que segure. Nem eu aguento. Tem que parar o trabalho pra tirar a roupa, tem que arranjar alguém pra atiçar, algum pobre desgraçado tem que sofrer comigo, não sei passar vontade. Delirar de tesão sozinha pode até se bom, com ou sem a ajuda dos brinquedos abençoados, mas, em algumas ocasiões, ter quem atazanar é ainda mais gostoso. Bom, eu acho.
Mesmo estando um calor dos sete infernos, a vagabunda acordou comigo, e só consigo ter lapsos, umas alucinações , transas que jamais acontecerão, outras que já não acontecem mais, mesmo assim ainda vivem em mim. E o fogo sobe. O que eu faço? Baixo a guarda e suplico uma foda? Mando uns nudes aleatórios só pra poder ter com quem despejar algumas putarias? Não sei, a santa não ajuda nessa hora. Ela só atiça. "vai chama o cara, convida a amiga, bebe mais... Põe aquela calcinha vermelha só pra tirar foto. Manda pro ex, pede pra ele mostrar pra atual." É, sandice pura da puta. Malditas putas. Ou benditas sejam elas, já não sei mais.
É como a introdução de you can leave your hat on, ao vivo, no último volume, com Joe Cocker extremamente alcoolizado incomodando os vizinhos religiosos. Assim são os dias que a puta habita em mim, cheios de solos fortíssimos e letras provocantes. É como estar nua diante do Diabo e tomar um gole quente do whisky depois de meses de sobriedade.
Eu escrevo e falo coisas sem sentido, cogito dar pra qualquer um, praticar a arte da chupada sem mais apelos, chamar pro motel e dizer "eu pago" é isso que a puta faz comigo, e sinceramente, eu gosto de dias assim. Nesses dias em que a piranha, a vadia mais apertada do bordel, resolve andar comigo, não existe o que eu não queira fazer. Tudo flui gostoso, simplesmente por instinto.