domingo, 16 de setembro de 2018

UM BOQUETE DAQUELES QUE VOCÊ GOZA NA CARA DELA, E É SÓ ISSO MESMO.

Eu a conheci numa noite meio chuvosa de sábado, aquelas que a gente espera a garoa afinar pra poder sair de casa e curtir um pouco, sabe? Foi num bar qualquer da zona leste de São Paulo, era no Tatuapé, mas não lembro o nome do lugar. Enfim, foi num bar, junto com uma garota que eu saía a tempos, e  que provavelmente por insistência dela de não sairmos apenas para transar, acabei aceitando atravessar a cidade para socializar com gente que nem sabia que existia, a não ser a amiga de quem ela falava sempre . Era eu, minha janta, um cara que nunca vi e ela. A amiga gostosa e desconhecida.

Duas mulheres e dois caras bebendo. Bebendo muito e falando merda.  E ali eu a quis.Quis a amiga. Reparei no vestido curto, no modo de andar que fazia sua bunda sussurrar cada sílaba do meu nome no mesmo compasso de Bitch, dos Stones, e na boca cheia que abria lentamente para goles longos de cerveja, e se escancarava escandalosamente sem receios pra dar risada de qualquer coisa que eu falava.

Era essa a minha situação, eu queria a amiga da mulher que estava comigo, por vezes entre uma pausa pra mijar e outra, pensei na possibilidade de me livrar do cara e levar as duas comigo. Mesmo estando de moto, mesmo com a chuva caindo e deixando tudo gelado, mesmo as duas não aceitando, eu queria. Um boquete duplo, uma transa diferente, queria carne nova, e carne era o que mais as duas tinham. Embora uma fosse baixinha e a outra mais alta que eu. Concentravam peças inteiras nos lábios, seios, coxas e bunda. A dupla era um tipo de açougue dos mais completos, aqueles que até oferecem refeições para exibir a qualidade da carne exposta. Uma espécie de banquete, aqueles tipo de filme clássico, aniversário de judeu, coisa de natal de milionário, coisas assim.. e eu cheio de fome.

A noite passou, mas não a minha vontade de enfiar o pau inteiro na boca daquela garota, até que suas lágrimas escorressem, até que ela gritasse de dor, até que provocasse ânsia e até que a ânsia a fizesse quase vomitar,  e só então eu permitiria que a vadia respirasse fundo pra poder começar tudo de novo.

Depois de levar alguns nãos por conta da amizade dela com a outra guria, resolvi insistir novamente e jogar aberto, não tenho tempo para charmes. "Escuta, menina. Quero um boquete seu. E é isso, coisa rápida, afinal, não temos tempo pra perder e idade suficiente pra saber como isso funciona."  E realmente funcionou. Quem diria, a grande amiga cedeu e em poucas horas tinha chegado ao outro lado da cidade para me encontrar.

O motel era um dos piores, porém pouco importava, não era um encontro com a mulher da minha vida e eu nem estava pagando. Depois de chamá-la pra foder, disse que estava sem um puto no bolso e ela disse que dinheiro não era o problema. Aquilo mexeu comigo, a vontade de vê-la me chupando era tão grande que mandei aos diabos o papo de que o homem que deve pagar o primeiro encontro e pra puta que o pariu todos os meus problemas com grana.  Dei meu jeito e fui. Eu seria chupado e não ia gastar um real por isso. Gozar na cara dela era o mínimo que eu poderia fazer pra aproveitar esse momento e pronto. Era como ser convidado pra um rodízio de carne e depois passar a tarde inteira na praia vendo bundas e bebendo por conta do chefe.

Ela aceitou pagar e daí por diante ocorreu tudo sem esforço. Ela me beijava com uma rapidez de micareta, não entendi a pressa, tínhamos 3 horas pra resolver nossas pendências. "Para com essa rapidez, ninguém vai fugir daqui, calma"- eu disse  logo assim que me afastei de seu corpo a deixando visivelmente triste com o comentário. Aquilo me deixou tão duro quanto antes, e assim permaneci, criticando tudo que a cadela afobada fazia.-  "Sem beijo. Não encosta em mim, não vou te beijar. Sem sussurro.  Sem preliminar. Não vou te chupar e também odeio esse seu jeito de ficar pedindo. Cala essa boca. Não seja ridícula. Vai chorar? Então chora. Chora, que eu paro. Faça as coisas direito e eu não reclamo. Se você não chorar, não sairemos daqui hoje. "

Até que ela chorou. Chorou e ajoelhou. Ajoelhou lentamente e olhou pra mim. "Eu te odeio", sem que terminasse a frase enfiei o pau com força em sua boca e mais lágrimas escorreram, seus gemidos eram completamente asfixiados,  e então misturaram-se às lágrimas a saliva e o suor.  A cada pressionada que meu pau dava em sua boca, a cada suspiro, mais lágrimas e mais olhares de pavor ela me retornava, sem nunca deixar de ser um pedido de mais força, um desejo, simplesmente tesão.

Na tentativa de me empurrar e se livrar de mim levantou as mãos, mas coitada, nada me faria parar com aquilo, mobilizei seu gesto e pressionei meu peso todo contra ela, que já não tinha mais reação além das ânsias de vômito e um respiro fundo e gemidos sem voz, quase uma súplica para que tudo acabasse.

E acabaria logo. Não sem antes esfregar tudo naquela cara de choro e ver escorrer aquela maquiagem que deixava aqueles olhos de ameixa preta ainda maiores. E eu perdi as forças, o gozo foi direto na cara da vadiazinha que abria a boca como se fosse receber um doce, da puta que engoliu, sorriu, se levantou e me beijou. Devagar. Como se nada mais importasse. Não tinha amiga. Não tinha mais pudor. Não havia mais vontade de ir embora.

Então eu desanimei. A cadela gostou e queria mais, mas pra mim, já tava de bom tamanho. Me restava mais de 1 hora pra aproveitar a banheira e ver o canal pornô de graça na TV.

terça-feira, 21 de agosto de 2018

QUE ACABE PELA MANHÃ ESSE LIXO QUE SOU E SINTO

E de repente tudo se fez escuridão. Não havia forças pra lutar, vontade de gritar, impulso pra correr...nada. Não havia mais nada aqui dentro.
E eu tentei. Tentei não pensar, tentei ocupar a cabeça, conheci gente nova, visitei lugares desconhecidos, matei vontades antigas e ainda sou um ser insuficiente. Nada me faz bem, só suga. Só me crescem as faltas, a vontade de chorar, os sentimentos de não pertencer à natureza alguma. Não sou de nenhuma espécie. Nem família eu tenho. Ninguém que se importe.

Mas que se danem os outros, deixei de fazer comparações. Voltei a estudar. Dancei outros ritmos. Procurei mais de um emprego, de alto a baixo. Segui e desobedeci conselhos. E de nada valem as boas notas, de nada vale ser presente. Saber falar corretamente também não adianta. Uma entrevista não dava certo por pouca experiência. A outra não dava certo por muita experiência. Eu estou velha. Tudo recém construído e arruinado, tal qual a música eu estou todinha fora da nova ordem mundial.
Não entendo nada sobre mim, só sei confortar e dialogar com alheios. Desisto fácil de seguir meu rumo e quase sempre me arrependo dos meus ímpetos de coragem, eu me conformo com qualquer coisa.
Como pode tanta gente cu dar certo? Como pode alguém nunca despertar o interesse de nada que me ronda? E essa sensação de sacola molhada no estômago, passa quando? Quando isso tudo acaba? Onde aprenderam a tomar tanta distância de mim? De mim e do que desejo, distanciam-se sempre de meus toques, minhas lágrimas, meus anseios... Todos estão sempre tão longe...
Que acabe pela manhã todo esse lixo que sou e sinto. Assim que eu não acordar. Que nada mais de mim exista. Nem mesmo saudade. Sentimento póstumo de nada adianta. Quando isso tudo vai acabar? Se é que um dia acaba...

domingo, 5 de agosto de 2018

MEU NOME É ÁGATHA E VOCÊ PODE PERGUNTAR SEMPRE QUE PRECISAR

Meu nome? Bem, meu nome é Ágatha. Sim, é assim que me chamo. E que me chamam também.

É, eles chamam. Chamam sempre que precisam de alguma coisa. Que o vazio aperta e o vento sopra forte nas orelhas. E é assim que eles entram nos meus causos. Chamando e gritando meu nome.

Minha vida? Olha, eu não sei como vai. Mas está desconfortável. É... Está esquisito. Não faz muito tempo, se não me engano, quinta-feira passada tive uma crise de ansiedade, um ataque de pânico, frescura, não sei... Saí sem rumo, dei sinal pra qualquer ônibus e entrei, só pra observar o caminho pela janela, com o coração acelerado, chorando e desesperada. Não tinha rumo, nem ponto certo, muito menos dinheiro pra gastar em outro bairro, era vontade de fugir mesmo.

Pra onde? Eu não sei, cara. Acho que queria fugir de mim, não tenho a mínima vontade de ser eu. É bem melhor ser os outros. E tem dia que pra mim não dá, tem dia que eu não posso com a felicidade de ninguém.

Oi, desculpa, não ouvi direito... Por que não quero ser eu? Nem de longe sou quem gostaria de ser. E meus desejos são utópicos. Tudo que acontece na vida alheia é inalcançável por aqui... Sabe como é? Eu, eu, eu não nasci pra isso.

Ninguém resolve meus problemas. Sequer param para ouvir. E quer saber? Todo mundo tem mais com o que se preocupar. E é uma bosta não ser normal. Não sentir normal. É tudo insuficiente. Queria ser pequena e frágil, mas pareço um monstro, e ninguém chega perto, mesmo com esse frio que pede abraços. Eu não sei lidar. Com nada.

Não tenho aquela coisinha que as pessoas têm, aquele ar de despertar atenção, não... tenho isso, não. Sabe aquela sorte de ter com quem contar, ser chamado de amor, família grande reunida, tomar benzatacil pra curar dor de garganta, infecção nasal, diarreia ou qualquer porra? Nunca senti nada nem parecido. Só sofro de rinite. E essa doença nem é tão grave assim...

Nunca cheguei perto da compaixão, sentimentos  recíprocos talvez me matem, como uma dose de aspirina, gotas de dipirona ou uma injeção de iodo. Eu nunca pude tomar as coisas que todos tomam. Ah não ser no cu, no cu eu tomo sempre.

E não vá pensar que é no sentido sexual, minha indiferença é tão grande que nem transar eu transo. Eu não endereço pau algum. Perdi o jeito. Esgotei o estoque de feromônios com fodas rápidas, fiz sexo de brinquedo. Tesão, alma e coração com tempo contado. Igual as fichas do Playland.

Nada durou. Tudo sempre fica  na mesma. E quando acreditei fazer parte de algo me disseram "era brincadeira" e então eu descobri, que com a Ágatha jamais seria amor. Nunca será. E então, essa coisa pra mim já não existe.

Se eu nasci pra alguma coisa? Para não ser amada, certamente. Nasci para não ser importante. Tanto faz ser Ágatha, ou ser ninguém, estar ou não estar triste. Eu nasci pra ser o tanto faz. E nenhuma  lágrima vai ser rolada por mim. Aceitei a condição, não vale de nada relutar. Os vencedores que contem suas histórias, eu fico feliz em procurar um par pra beber comigo e, caso consiga encontrar,  bastará. Conversa e copo cheio.

Confesso que antes de acordar achando tudo indiferente,  já chorei muito ouvindo faz uma loucura por mim, já ouviu? Aquela da Alcione? Chorei de soluçar, juro. Quem no mundo tem essa pessoa que faz loucuras? Eu nem sei o que é loucura, meu jovem. Eu mal conheço gente, meu amor. Pouca coisa me tira de casa.

E olha, meu caro... Já entrei no limite do banco pra pagar cerveja, só porque gostava da companhia, já fui xingada por estender papo e perder a hora, já atravessei cidades, já virei noite, já paguei  hot dog, boquetes e contas nos piores motéis do bairro, agora me pergunta, e por mim já fizeram o quê? Porra nenhuma.

Nem um suco. Um café. Nada. Eu ando com gente que tem pra onde correr quando bate a crise, gente que sabe se virar, gente que não sabe o que é passar sexta, sábado e domingo sem ter pra onde ir e muito menos pra quem gritar.

Eu finjo bem, e é esse o meu maior defeito. Eu não estou bem. E não fumo. Muito menos bebo sozinha. Eu vivo sozinha. E não importa, pra ninguém.

Se tem alguma coisa que eu sei melhor do que alguém? Eu não sei o que é fazer falta, mas me saio bem dançando de improviso em público. Eu também não sei confiar, eu nunca sei se estão comigo porque gostam de mim, ou porque fui o que sobrou, nunca sei de nada.Pra mim, eu sou sempre o motivo da piada. E com isso você pode perceber que não existe nada que eu saiba melhor do que alguém, mas gosto de cozinhar. E um dos meus sonhos e ter uma casa com cozinha grande e fazer qualquer coisa, meu sonho é receber gente em casa.

O que eu mais quero agora? Poxa, nessa você me pegou, eu quero sempre  tanta coisa e tudo ao mesmo tempo. Bom, vamos lá... Queria entder o que há aqui dentro, além de cabelo e peito falso. Gordura, sangue, pelo encravado e cicatriz.  Queria me ver com os olhos de quem anda ou já andou comigo, talvez eu seja mais que isso, mas nunca  ouvi...

Eu sempre exagero ao demonstrar afeto, por vezes acredito que nem sei dar afago. E é cada vergonha que passo, nego...

O que me faz forte? Eu finjo. Assumo a personagem que é boa e feliz em tudo que faz. E um dia ainda vou morrer disso, pode anotar aí. Acontece que não sei confiar. Em nada. E com todos que fraquejei, me fodi.

Até mais,
Me faça suas perguntas sempre que precisar.
Beijos,
Ágatha.

quinta-feira, 19 de julho de 2018

QUEM TEM MEDO DO COTIDIANO?

Há dias em que fico me perguntando sobre a vida dos outros é uma curiosidade simples, desejo saber o que aconteceu na vida dessas pessoas para que os dias  de hoje aconteçam. Entende? Imagino a  possibilidade do "e se?" E crio um mundo paralelo, uma vida alternativa, uma segunda chance...

Fui criada por duas mulheres, minha avó e minha mãe. Duas mulheres que viveram separadas  por um tempo, porque mãe não pode  parar a vida pra criar filho, o dinheiro tem que entrar em casa, as contas precisam ser pagas. E maridos, bem, esses não fazem isso. Pelo menos não com elas.  Enfim, minha mãe já crescida voltou a morar com minha avó, e começou a trabalhar,  depois casou,  e o casamento acabou. Depois casou de novo. E eu nasci. E ela se separou. Então desistiu. Copiou a mãe, que pragueja casamentos até hoje, praguejou  até o  da filha, vivia ao lado dos santos e do álcool e pra ela isso bastava.

Mas a filha queria família bonita, hora pra jantar, marido em casa, filho, sobrinho, irmão, churrasco no domingo e cachorros... Pra matriarca era bobagem, já havia casado duas vezes e, como boa sogra, contribuiu bastante para as brigas do casal e fim. Foi bom, enquanto durou. E é normal. Não acontece só na minha casa. Acontece na sua também, não?

Esse ser, hoje com quase 90 anos me deixa inquieta nessas observações cotidianas. Quase entendo o motivo do fim de seus casamentos, é compreensível que os ex maridos não tenham aguentado. E não quero parecer machista, muito menos defensora dos casamentos eternos, não é isso...

Minha vó não espera você chegar em casa para contar problemas - e isso é extremamente errado em qualquer relação, eu aprendi com minha mãe.  Que tem a esperança de que eu seja uma boa namorada/esposa, ela não sabe se quero casar, mas  sonha que eu case e faça diferente do que ela fez. Bom, eu não sei o que quero, mas sigo esse ensinamento seguinte -  Minha mãe depois de estar muito nervosa com minha vó, disse "Filha, quando você casar, e seu marido chegar em casa, não fale das contas pra pagar, nem da comida queimada, nem dos problemas do trabalho... Espere. Espere o cara chegar, tomar um banho, ouça o dia dele e depois sim, converse sobre os problemas. E não jogue os problemas em tudo, do jeito que sua vó faz. Não há homem que aguente isso" .

Minha avó é o tipo de pessoa que liga no seu serviço pra dizer que o frango está muito caro,  que o Corinthians  está perdendo, que não sabe o que vai fazer  de almoço. Mas não sabe perguntar se seu  dia foi bom, se você precisa de alguma coisa ou simplesmente te dar um abraço. Ela não mede palavras pra dizer a comida acabou, que ameaçaram cortar a luz, não sente cheiro ruim nas roupas de cama e faz um inferno se você decide jogar tudo na máquina ou reformar a casa...

Em vez de limpar o leite derramado, ela pergunta quem derrubou o leite. E isso gera briga. Não soluciona nada. Saber quem derrubou o leite não limpa coisa alguma...

Tudo parece o final do mundo, da moça que dorme com o namorado, àquela que tem 60 anos e ainda mora com a mãe. Tudo é um absurdo. Pra ser velho você precisa fazer uma prova e tirar carteirinha de falso moralista, só assim poderá desfrutar das filas exclusivas, embarques preferenciais e condições especiais para empréstimo.

Além das cenas dignas de novela mexicana, ela passa perfume demais e isso ataca minha rinite. Talvez atacasse a dos maridos também. A maneira de demonstrar carinho dela é quase nula, a velha é inflexível e se mostra doce apenas com os gatos. Ou com os vizinhos. Os vizinhos ela trata extremamente bem. E meu pai. Ela gosta do ex genro, como se fosse filho.

Enfim, quando minha mãe me ensinou a  não bombardear meu futuro marido com problemas e a agir diferente da vó, concordei de primeira sem nem questionar. Antes que muitas se revoltem, dizendo que estou aceitando uma posição do patriarcado, "não irrite um homem",  eu explico. A questão aqui não é o homem. É a relação. A dica materna é "não  estrague sua relação".

Ninguém quer chegar em casa ouvindo problema, a gente quer silêncio e colo. Um macarrão cheio de molho bem quente e cremoso. Banho e cama. Simples assim. Ela usou o casamento pra expor, porque isso lhe feria, podia  ter sido diferente, ela sabia como fazer dar certo, no entanto, o gênio da mãe, e também por não existir perfeição, atrapalhou sua vida, nada mais justo do que orientar a geração futura a não cometer os mesmos erros. E tudo bem. Ouvi e guardei. Se um dia precisar usar, estará por aqui em algum canto da minha mente.

Eu tenho medo de envelhecer sozinha. Mais medo ainda tenho de ser como a minha vó. E as constelações familiares dizem que a terceira mulher se parece muito com a mãe da mãe. Merda de missão de vida a minha, não se tornar uma velha chata. Bom, acho que vou falhar e deixar para a próxima encarnação, o medo do cotidiano me vence quase todos os dias.

A minha relação com minha mãe é boa, mas tem suas estremecida. Dias atrás brigamos. E em suas falas de raiva ela disse que sou muito oferecida, e que enjoam fácil de mim pois estou sempre em todos os lugares que me chamam. Tenho que fazer com que sintam minha falta. Eu olhei nos olhos da Suzane Von Richttofen, mergulhei no fundo de sua alma e a entendi perfeitamente. E nem grande herança tenho pra receber... Um apartamento na cohab e sapatos, que nem me servem. Não compensava mata-la, apesar da vontade tentei compreende-la.

Eu não sei se existe quem sinta minha falta, também não acredito que esse alguém existirá um dia. As vidas seguem. E a vida que as mães sonham pra nós, bom, também são utópicas.

Utópica tal qual uma rotina tranquila. E eu temo bastante a tranquilidade.

terça-feira, 26 de junho de 2018

ÁGATHA, A VADIA MUITO BEM COMIDA E DESESPERADAMENTE MAL AMADA

Eram coisas simples da vida. Simples, no entanto, muito importantes. Importantes como cagar todos os dias, preferencialmente mais de uma vez ao dia. Era nesse tipo de coisa que Ágatha costumava acreditar, cebola, alho e óleo, pimenta e sal. Nada de receita rebuscada de felicidade. Isso na prática, pra ela, não funcionava.

Acreditava na simplicidade de mudar de músicas de acordo com o humor, começar o dia ensurdecendo os vizinhos com os riffs de AC/DC, faxinar ouvindo Pixote, correr na rua ouvindo funk, tomar banho ao som do xote dos milagres e ir dormir embalada por Nina Simone...A moça tinha fé na música, sua companheira de tantas e tantas fases. 

Não é possível resumir Ágatha em um único sentimento, porém, é nítido em sua face e seus trejeitos o tamanho da solidão que vive e sente. Mas isso é visto apenas aos olhos treinados, ela disfarça bem. Rainha dos disfarces, mas nunca do fingimento. 

Cantando o refrão de Hotel Califórnia, e na 3ª dose de whisky, suas unhas compridas e falsas passavam pelo celular buscando uma das conversas que já não são mais frequentes. Acolhida apenas por seus cabelos longos, jogada sem postura, e sem perspectiva de uma vida diferente, numa poltrona revestida milhões de vezes, devido aos arranhões dos gatos com que dividia espaço, Ágatha digitou e apagou repetidamente as palavras e sentimentos que desejava vomitar...Não era o álcool, não era o prato de comida de horas atrás, era insatisfação mesmo. Bem fria e sem gosto. 

No começo do mês se desfez de um relacionamento que estava resumido a troca de mensagens por sexo. Ágatha nunca negou uma foda, não fazia essa linha, no entanto, estava vivendo com tendinite tamanha a masturbação das noites em que não obteve resposta, por vezes não tinha tesão  nela mesma, mas tocava-se automaticamente, o tempo precisava passar e tirar de sua mente que queria companhia, algo além de mais força para penetrá-la, porém, sabia que um entrelace de dedos soaria mais ousado do que qualquer outro pedido e se calava. Esperava convites para transas corriqueiras, mas que durante algumas horas valiam a pena o tédio causado pela solidão. 

A vadia que nunca negou boquetes solicitados pela manhã, que sempre dava um jeito pra dar, se viu dando apenas nos dias em que seu par sentia vontade. E não se culpava por isso, tinha consciência do que estava se sujeitando e sabia o tipo com quem estava se envolvendo. Entretanto, sentia que um pau duro, coleiras, puxões de cabelo, tapas e xingamentos já não faziam sentido...já não vinham com o mesmo gosto. Ela decidiu que não era mais o sexo,  - pois, como diz o poeta, sei lá qual, as fodas são apenas isso, até que alguém decida que serão algo mais - , e por saber que não era mais transa, nem mesmo amizade, arriscou contato e despejou seu choro, seu pedido por reciclagem...Estava acostumada a ser tratada feito lixo, mas que fosse separada e jogada na lata certa pelo menos. 

A indiferença na resposta por sua súplica por carinho ardeu tanto ou mais quanto jatos de porra no olho. Foi difícil ler a mensagem que dizia "Você sabe que sou assim, não sei dar carinho. Só transo com você porque já transamos faz tempo, era meu caminho.Não respondo nem minha mãe, para de drama. Eu sou ruim e tu sabia disso, por que ainda sai comigo?" , mas não impossível de entender. Não era ela a escolhida para ser a mulher da vida de alguém, muito menos para receber uma atenção comum, Ágatha não desejava ser a religião de nenhum homem, mas algo bom em que ele pudesse contar nos bons e maus momentos, sem dízimo, sem punição, sem pecados. Coisa simples, coisa que ela acreditava.

Embora tivesse tido coragem de mandar a mensagem, não sabia como responder a pergunta "Por que sai comigo?", estava se desrespeitando claramente, não dava pra se permitir transar com alguém que estava a fazendo mal, e não saber o motivo dessa submissão. Perder a cabeça por conta de um sexo descompromissado e violento, sem conchinha, sem papo, sem álcool, sem nada não fazia parte dos planos de Ágatha. Talvez fosse o vício nas conversas iniciais cheias de interesse,ou simplesmente carência, talvez fosse a eterna briga de id, ego e super ego, talvez ela não merecesse uma foda melhor, talvez fosse só fogo no cu, ou todas as opções descritas. Vai saber...

Ela virou mais uma dose, daquelas que caem pesadas no estômago, e jogou o celular na lua. Foda-se, nenhuma notificação mais importa.O que mais deveria importar na vida de Ágatha? De nada valiam  suas tardes num motel de bairro, muito menos as vezes em que gastou o que deveria economizar, tampouco os dias em que passou dividindo seus sonhos, alegrias e tristezas,  a preocupação tola com a cicatriz de seus seios siliconados, as lingeries rasgadas, as mensagens de boa noite, me avisa quando chegar e sinto sua falta...nada, nada disso, nada valia mais. Era tarde, precisava dar um jeito em sua bagunça. "Tesão não é algo que se implora, muito menos o amor", pensou. Seguiu sua noite, simplesmente já não havia mais o que fazer. 


segunda-feira, 11 de junho de 2018

A METADE DO ANO É UMA ÉPOCA DE QUASES

A pior parte do inverno é que ele nem chega e as manias de frio começam em grande escala. Por exemplo, as mulheres nas ruas paulistanas todas com a mesma roupa: Calça legging preta, bota cano alto, casaco acinturado, cachecol, luvas... Umas arriscam colocar toucas e diferenciam-se apenas dessa maneira: umas usam gorros, outras não. Todas as mulheres são iguais, principalmente no frio. 

Ainda é outono, o inverno chega no dia 21/06, mas hoje ainda é o décimo primeiro dia do mês, no entanto, já começaram os festivais de sopa. Eu odeio sopa, mas gosto das festas de rua. Prefiro ensopados. Sopa é comida de dieta, comida de gente doente não combina com as comemorações juninas. Desisti de seguir regimes, também detesto qualquer clima semelhante ao de hospitais. 

Os meados do outono costumam trazer dias bonitos, sol forte durante a maior parte do tempo e noites geladas, ótimas pra mim que adoro dormir com cobertor. 

Junho é o mês dos quases, é quase ano novo de novo. É quase o fim de tudo de novo. Em junho tá quase todo mundo de saco cheio. Menos eu, eu permaneço insatisfeita o ano inteiro.

Porém, tenho que concordar que foram seis meses mais felizes do que o final de 2016 e o ano de 2017 inteiros. Meia dúzia de 30 dias que demoraram para começar psicologicamente e, sobretudo, sexualmente. E um fator está relacionado a outro, se um não está fluindo o outro empaca, e vice e versa.

É tudo quase muito bom, coisa típica de junho. Assim como as mulheres procurando aulas sensuais, e as lingeries de renda e as roupas de moletom em preço absurdamente mais alto. O sexto mês é recheado dessas coisas.

Foram 10 anos em seis meses, quase uma década, de quase envelhecer e rejuvenescer de novo. Da vontade de quase morrer só pra começar a viver de novo. É a metade do ano, é quase isso. É sempre quase. 

quinta-feira, 12 de abril de 2018

VIVER É A VONTADE DE COMER DOCE E ABRIR UMA MASSA FOLHADA PELA PRIMEIRA VEZ

Desde ontem estava com vontade de comer uma torta que vi nesses sites que mostram coisas absurdas de tão gostosas e quase sempre impossíveis de se fazer.

Seria minha primeira vez abrindo uma massa folhada, a primeira tentativa de fazer algo delicado e trabalhoso. No video tudo parecia simples, farinha e água. Descanso. Margarina. Sal. Abrir e fechar até pareça bom, até quando não der mais pra abrir sem virar farelo.

Um tutorial simples, mas que vinha com avisos de mãe e amigas "cuidado, essa massa é complicada" "com margarina bosta não vai dar certo, mas tenta com essa mesmo" "eu nunca fiz e não farei, dá muito trabalho" "odeio cozinhar, só gosto de comer". Na cozinha, e em algumas situações da vida, é preciso uma torcida contra pra nos motivar.

Eu não queria simplesmente fazer um doce, o desejo era de me sentir capaz. Queria apenas o prazer de ver um plano realizado. Não fosse minha teimosia em ir pra cozinha, sem que o calendário indicasse alguma data especial, a gula de querer uma massa fina envolta de um chocolate meio amargo transformaria-se em mais uma das coisas que eu quis e deixei de lado.

E não foi fácil. A massa grudava no rolo, e eu sujei a casa toda com farinha, suei a testa, tirei a camisa, quis desistir e ir pra academia - que era onde eu deveria estar às 15h30. E hoje era dia de braço e mais tarde tinha Twerk. Agora eu só conseguia pensar que além de terminar aquele doce,  entrar naquela aula pra aprender a rebolar foi uma decisão pensada às pressas, com a desculpa de arrumar uma atividade física mais intensa. O que eu queria mesmo era ter mais atitude, ser mais importante. - Tem dias que preciso apenas ouvir uma música ruim e esquecer da vida por uns instantes. No entanto, hoje eu resolvi tentar uma receita diferente.

Abra a massa em sentido retangular, salpique farinha na mesa, nas cadeiras, no chão. Dobre. Repita. E era isso, assim como a vida. Gente falando que vai dar errado. O medo de não ter os ingredientes corretos. Seguir ordens. Querer surtar. Agir e esperar.

Cozinhar é o mais próximo que eu chego de realizar um sonho, assim como quando meus gatos deitam em cima de mim, é o mais perto que consigo chegar do amor e da parceria. Reflexão de cozinha mexe comigo, é estranho.

Pelo menos a torta ficou boa, o sabor do chocolate amargo é um dos mais saborosos na minha opinião, mas sabe? Acredito que a torta deveria ter ficado menos tempo no forno, eu não pré aqueci direito, e na tentativa de deixar a massa com mais cor, o recheio acabou endurecendo.

É a vida, existem uma porção de coisas que eu poderia ter feito melhor e com mais calma. Paciência.

sábado, 31 de março de 2018

TOP 10 PIORES NOITES #10 - EU SÓ SOU LEGAL EMBRIAGADA DANÇANDO HARD

Certa vez eu conheci um cara. Conheci bêbada, completamente alcoolizada, numa noite ridícula de hard rock no extinto Inferno da Rua Augusta.

Era madrugada, a música estava mais alta que qualquer um dos outros  sentidos, e provavelmente eu estava numa das minhas melhores, e mais vergonhosas versões, dançando num pole decadente e mexendo os quadris entre tantos outros ao som de pour some sugar on me... Música mais do que repetida nesse tipo de festa.

O cara estava lá, amigo de uma amiga, pagando bebidas e me vendo dançar e beber. Fazia poucas piadas, preferia os destilados às cervejas, mesmo assim não deixava de buscar os baldes de garrafas verdes pra dividir com o grupo inteiro. Ele permanecia calmo no meio das garotas que acompanhava, e apesar da barba na cara tinha tamanho, físico e olhar de um menino de uns 14 anos.

Não trocamos palavras naquela noite, mesmo assim, senti vontade de beijá-lo. Apenas porque ele me fitava como se eu  fosse algo anormal, e de certa forma, eu gosto de causar esse tipo de coisa nas pessoas. Desci e o surpreendi com um beijo, sem pretensão de ter mais nada com isso. Beijei, roubei um gole de seu  copo e fui ao banheiro. Não sou de muito papo nessas situações, e na minha cabeça aquilo acabaria ali mesmo. Tal como a descarga que levou parte do álcool ingerido pro esgoto.

O pequeno moço, apesar de demonstrar que gostava de estar comigo, era pouco transparente com seus demônios. Digo, eu não conseguia saber o que ele realmente queria de mim. Não conseguia me comportar como cadela, também não era carinhosa como uma namorada e nem tinha tanta intimidade pra conversar como uma amiga. E ele não me dava uma pista, um caminho simples pra saber como agir.

Existem coisas que nascem e morrem numa noite de Augusta, vocês sabem: colegas bêbados de banheiro, gente que troca ideia na fila, o papo interminável com a moça que elogia sua bunda no bar, e os amassos com o cara de roupas sérias e fachada de bom moço que frequentava o mesmo rolê.

Entre os finais de semana que saía comigo, ele também se encontrava com outra mulher. Mas com essa ele ia sozinho, e a locais mais apresentáveis do que os bares de rock do centro de São Paulo. Eu era solicitada para ajudar a encontrar um bom local para o encontro romântico.

Apesar de sempre estarmos juntos num clima de música, mulheres, cigarros e bebidas ser bem sugestivo, nada de mais acontecia entre nós. Eram beijos e palavras de carinho, tapas fracos, nada que enlouquecesse, tampouco incendiasse...

Enfim, ali na Penha perto da Tiquatira fica o Dunnas bar, ambientado por belas bailarinas de dança do ventre com decoração egípcia e música tranquila, fora a alegria e sedução que parecem energizar o ambiente. Ele sabia que eu amava aquele lugar e me perguntou se era um bom lugar para levar a moça séria com quem estava flertando.

Não posso dizer que a pergunta não me abalou, mas continuei a conversa bancando a indiferente. Ele insistiu "Tem algum motel lá perto?" e de verdade eu não sabia, respondi apenas que se ele queria bares e motéis próximos, deveria levá-la na Augusta mesmo. O rapaz admirador da minha dança e da minha falta de timidez riu da sugestão e afirmou que aquela garota não era do tipo que frequentava o nosso rolê, que o caso era diferente.

Então, pude concluir que não era amiga pra conversar sobre a vida. Não era a vadia que ele queria comer somente aos finais de semana. E muito menos a candidata à futura namorada.

Nunca quis o posto de deusa da vida de ninguém, porém, tinha consciência de que nossa relação era aquilo de estou feliz por estar com a menina que não tem vergonha de dançar no bar, e eu feliz por ter alguém pra beijar no meio do expediente.

Estaríamos quites, caso tivéssemos sido verdadeiros desde o início. No entanto era um vai, não vai. Cerveja morna na metade do copo que não dá pra jogar fora pra não desperdiçar e também que não é umas das coisas mais gostosas de beber. Não mata a sede.

Nossas vidas se separaram, o bom moço começou a namorar a boa moça que não servia para os motéis baratos e noites de open bar. Arranjou uma companheira que proíbia nossas conversas, me tirou de sua vida e eu segui meu baile. Continuei sozinha, bebendo e dançando à procura de qualquer coisa que divertisse. Carência minha, um dia eu explico.

O namoro acabou depois de alguns anos, e ele ressuscitou me tratando da mesma maneira de antes. Uma semi amizade morna com toques sem firmeza.

Agora eu já não frequentava a noite paulistana com frequência, e ele me conheceu sóbria. Sóbria na hora de almoço de um dia entediante de trabalho. A sobriedade chata do dia a dia. E mesmo aos beijos, na frente da empresa, aos olhos da secretária fofoqueira do chefe que pregava a moral e os bons costumes, nada em mim brotava... Talvez estivesse doente, ou apaixonada por outro, ou carente demais pra jogar limpo e dizer "eu não quero transar com você, mas ter sua atenção me faz bem". Talvez por não conseguir ler o que aquele cara realmente  queria de mim eu não conseguisse  ir adiante com aquele teatro. Enfim, situação de bosta que eu não sabia lidar.

Já havia entrado em fodas sem ter tesão, sem ter consideração  e intenção de cativar. Porém, com esse tipo era diferente. Eu tinha preguiça e por preguiça não conseguia prestar atenção nele, muito menos no que ele sentia. Pensava mais em mim do que por os pingos nos is daqueles encontros.

Foi numa noite véspera de carnaval que a falta de tesão se confirmou. Éramos mais um casal no bar, desses casais que incomodam os outros com seus beijos escandalosos. Beijos falsos da minha parte, pois podia ser com ele, podia ser com qualquer outro. Não eram encontros especiais. Tapávamos buracos. E não havia nada de errado com o rapaz, coitado.

Às vezes penso que ele seria um bom namorado, era o tipo de cara que derramava elogios e mensagens fofas. Atencioso e educado, um sonho. E como todo sonho faltavam verdades em nossas palavras. É bom ter alguém pra chamar de mozi, porém, costumo acreditar mais no tesão do que no amor e mais nos xingamentos do que nos apelidos carinhosos.

Embora ele me tratasse bem, não era o tipo de cara que me provocava, de verdade ele pouco conversava comigo, pouco reclamava da vida ou do trabalho, também pouco demonstrava interesse em sexo. Os opostos não se atraem, os comportamentos parecidos, sim.  Nós éramos diferentes.

Eu me contentava apenas em foder e ter com quem conversar. Sem status. Transar violentamente e dormir abraçados, rir de piadas idiotas e arrancar a roupa em qualquer lugar. Yin e yang. Já ele, eu não sei do que gostava.

Sem dúvidas essa convivência resultou na minha pior foda, pior por nunca ter acontecido, pior por não ter tido nem  ao menos vontade de começar.

segunda-feira, 26 de fevereiro de 2018

ROGANDO PRAGA EM RELAÇÕES QUE NÃO SÃO MAIS.

É muito bom te ver feliz, mas de verdade espero que se foda. Isso mesmo. Foda -se, milhões e incontáveis vezes. Vá pro inferno. Sofra. Chore e adoeça. Quero que se foda.

Não venha mais contar planos, não sou boa ouvinte. Já fui, daquelas que lembram detalhes esquecidos há séculos. Cada frase da conversa, eu lembrava. Eu lembro. Comento sozinha em voz alta. Mas não te ouvirei mais. Me recuso a participar de uma vida tão merda quanto a sua. Quero que se foda.

Até das piadas, que muitas vezes não achei graça, mas ri pra agradar. Coloquei um disfarce na cretinice, na intenção torpe, me ceguei pra sua burrice imensa, só porque o amor tem dessas. Mas agora caíram as máscaras, não restou nenhuma, a paciência se foi junto com o afeto e eu apenas quero que você se foda. Suma. Esqueça. Evapore.

Mas antes de partir eu desejo e espero que se  lembre de mim todos os dias, também que se se sinta um lixo por isso, foi o mesmo que aconteceu comigo. Eu praguejo quem está feliz enquanto eu estou triste. Eu sou ruim. Ruim egocêntrica e individualista. Principalmente quando deixo de me importar. Que se foda.

Nunca acreditei no sumiço, o pior tipo de gente some e volta falando que é uma pessoa ruim, que precisa de um tempo só, que só faz mal. Aquelas desculpas que tentam redimir um estrago gigantesco na vida do outro. Na minha, no nosso caso. Quer saber? Foda-se.

Foda-se você e suas histórias. Foda-se também a sua família. Sua carência. Seus sonhos e suas crenças. Foda-se, caralho. Já que pouco se importa, quero que se foda.

Tal qual o samba que diz que "não me comove o pranto de quem é ruim" e assim, mesmo que a mágoa acabe passando e você venha a se redimir, eu meu rebaixei aos seus modos. E de verdade, eu quero mais é que se foda.

Eu já não me importo.

terça-feira, 6 de fevereiro de 2018

PRA GENTE QUE NÃO CHORA

Eu vou falar sobre o ódio.
Sobre sentimentos ruins, talvez eu também fale sobre a inveja que sinto de gente feliz, a pior coisa que pode morar num ser humano.

Eu quero falar sobre a raiva, o estresse, os vícios e as vontades. Gritar sobre todas as coisas que não tenho, que já tive e que pretendo ter.

Estou falando sobre a saudade, sobre a carência, sobre a tristeza e os vazios infinitos que doem ali, bem na boca do estômago.

Dizer coisas sobre a sensação de frio na barriga, ânsia gelada. Aquele gosto de papel na boca. A má digestão de quem come papel higiênico molhado. O gosto ruim na boca de quem mastiga um papel cheio de merda. E vômito. E sabão em pó. E sagu, o pior doce do mundo.

Eu quero dialogar sobre sentimentos fortes, como a indiferença, por exemplo. Água quente e salgada numa queimadura de 2° grau.

Quero entender como vivem as pessoas que esquecem fácil. Perdoam. Não se abalam. Seguem em frente. Vocês que não comem e não vomitam ansiedade, por que conseguem viver assim?

Eu não pretendia abordar os demônios que moram na minha cabeça. Eu jamais teria a intenção de me abrir escancaradamente, chorar e sair correndo. Eu não quero falar sobre as minhas fraquezas.

Quero falar do medo, medo do passado. Medo de perder a mãe pra um infarto. Medo de ter que sair de casa. Medo de ter que se acostumar a viver só.

Essas palavras então são sobre mim, ou sobre parte minha. São um desabafo, uma respiração profunda. Coisa de gente que já não consegue mais chorar.

segunda-feira, 5 de fevereiro de 2018

EU SEI LÁ O QUE TO SENTINDO

Passei o primeiro mês do ano sem sentir absolutamente nada, além de preguiça de qualquer tipo de interação.

Logo eu, que fico animada e me iludo com qualquer convite, elogio ou conversa.

Meus dias são repletos de espera. Aguardo ansiosamente por mensagens "inesperadas", assuntos que rendam boas risadas. Queria mesmo era voltar no tempo. Eu guardo nudes e frases para ocasiões especiais. Depois me lembro que essas situações não existem. Fracasso.

A maior parte de minhas memórias está repleta de alegrias que não me permiti viver. É uma bosta, francamente...

Na verdade eu quase sempre estou pensando nas minhas melhores noites de sexo. Sempre.

Que nem foram tantas.  Não tantas quanto eu queria.

Meu desejo de atenção deve ser maior do que toda a libido presente no corpo. Antigamente, e bem antigamente, antes de saber das coisas que me moviam, eu acreditava que sexo era apenas isso e pronto.

Tenro engano. Pensamento virgem e egoísta. Egoísta e completamente virgem.

Nunca foi somente a foda, nunca. Sempre foi vontade de acolhimento, querer  pertencer à outra vida, ser de alguém, fazer parte da melhor parte do seu dia. Isso dava, e confesso que ainda dá certo medo. Mas há algum tempo, o que mais tem me assombrado é a maldita pergunta: Está sozinha?

E pra driblar o sentimento de bosta digo que não. "Não, estão me esperando lá dentro."

Eu minto nos bares, nos shows, nas conversas. Vivo sempre só e durmo o dia inteiro pra fingir que não. Pra fingir que não sinto nada. Que não sinto falta. Falta de você.