terça-feira, 6 de fevereiro de 2018

PRA GENTE QUE NÃO CHORA

Eu vou falar sobre o ódio.
Sobre sentimentos ruins, talvez eu também fale sobre a inveja que sinto de gente feliz, a pior coisa que pode morar num ser humano.

Eu quero falar sobre a raiva, o estresse, os vícios e as vontades. Gritar sobre todas as coisas que não tenho, que já tive e que pretendo ter.

Estou falando sobre a saudade, sobre a carência, sobre a tristeza e os vazios infinitos que doem ali, bem na boca do estômago.

Dizer coisas sobre a sensação de frio na barriga, ânsia gelada. Aquele gosto de papel na boca. A má digestão de quem come papel higiênico molhado. O gosto ruim na boca de quem mastiga um papel cheio de merda. E vômito. E sabão em pó. E sagu, o pior doce do mundo.

Eu quero dialogar sobre sentimentos fortes, como a indiferença, por exemplo. Água quente e salgada numa queimadura de 2° grau.

Quero entender como vivem as pessoas que esquecem fácil. Perdoam. Não se abalam. Seguem em frente. Vocês que não comem e não vomitam ansiedade, por que conseguem viver assim?

Eu não pretendia abordar os demônios que moram na minha cabeça. Eu jamais teria a intenção de me abrir escancaradamente, chorar e sair correndo. Eu não quero falar sobre as minhas fraquezas.

Quero falar do medo, medo do passado. Medo de perder a mãe pra um infarto. Medo de ter que sair de casa. Medo de ter que se acostumar a viver só.

Essas palavras então são sobre mim, ou sobre parte minha. São um desabafo, uma respiração profunda. Coisa de gente que já não consegue mais chorar.

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