terça-feira, 16 de maio de 2017

NÃO É UM FOGO LEVE QUE EU PEGUEI

Me pego com vontades súbitas no meio da tarde, sei lá, aquela fome que dá do nada. Um desejo maluco de tudo que não tem na geladeira.

Pediram comida no trabalho, mas eu não estava na sala e fiquei sem nada. Devo estar  com uma cara de quem não come há séculos, me disseram pra ligar e adicionar alguma coisa ao pedido, fala sério... Minha fome é grande, no entanto a vontade de evitar contato com desconhecidos é ainda maior.

Eu queria sei lá,  acho que queria você. Fazer uns filés de suas coxas, tostar suas orelhas na grelha. Te dar umas mordidas, só de tira gosto.

Ah! Que vontade que eu estou de chupar você, lamber seus olhos e engolir suas veias. Mas isso não consigo pedir por delivery... Triste.

Me resta então tomar um café, aguardar o horário de bater o ponto e pensar nos convites que recusei, aqueles banquetes que me neguei a participar. Devo ter me privado de tanta foda boa, digo, sopa. Não, odeio sopas. São das fodas que sinto falta mesmo. Ah, isso é besteira. Se fue.

Eu não te quero vindo simplesmente porque pedi, ou porque está só, menos ainda te quero do meu lado com o se eu fosse a opção mais em conta do cardápio.

Não me apetece te ver quando posso, não curto essas modernidades. Me abre o apetite saber que estamos juntos porque sentiu vontade de mim, pelo simples fato de que te dou fome... Vamos fazer aquela dieta das cavernas?  Ainda vou enlouquecer. Preciso dar um jeito nisso, me saciar de ti e encontrar algum tipo de paz .

Transa comigo, me leva pra comer um dog, vai? Passa a tarde toda reclamando de alguma coisa ou ouvindo música, te quero com acompanhamentos extras. Muita manteiga, pimenta e sal, tudo sobre nós é temperado na hipertensão.

Já não sei o que é um olhar faminto em minha direção, me ajuda. Faz um marmitex caprichado, me enche de porções suas, sirva-se nu e crú.  Mas vem cá, fica pertinho. Não se assuste, não. Eu não mordo. Eu engulo tudo de uma vez.  Não sou adepta do pecado da gula, só estou com muita fome.

segunda-feira, 8 de maio de 2017

RASGUE MINHAS NEURAS E ENVOLVA-ME

Meu amor, preste bem atenção nas coisas que não lhe digo, mas, que deixo soltas ao vento. Olhe bem, se prenda a todos os sinais de minha loucura. Não estranhe minhas birras e a forçação de barra. Te quero e não sei como falar, um dia talvez eu escreva, sou melhor nas linhas do que nos dizeres. Acontece que não sei me comportar diante de ti, perco as falas e os trejeitos. Viro criança, solto as feras, ao mesmo passo em que desejo ser mulher. Tua. Nua. Completamente.

Dance comigo. Aumente o volume e incomode os vizinhos. Me faça esquecer os surtos, enquanto arranca minha roupa e tira de mim essa inveja dos casais felizes que me atormentam diariamente no ônibus, no metrô, nas fotos, nas frentes dos motéis  de beira de estrada, caminhos de bêbados ou porta de estação de trem.

Me chama pra terminar um dia entre suas pernas, me provoque com suas tiradas irônicas, enfie um dedo de cada vez na minha boca. Sorria pra mim e me salve dessa vida puritana  sem álcool, sem coito, sem luxúria. Mesmo que não faça, fale de sexo pra mim. O dia inteiro. Me masturbe com suas palavras, diga que sou louca, faça algo do tipo. O que eu pedir. O que você mandar.

Entenda que mesmo que eu não abaixe a cabeça pra ninguém, não admita meus erros ou assuma minhas tolices, estou querendo há tempos me ajoelhar diante de ti e te engolir aos poucos. Devagar. Salivando. Obedecer suas ordens, ouvir as vozes do instinto e ser fluente nos seus olhares, sussuros e gemidos. Estou com uma tremenda vontade de transcrever sua respiração em meus toques, deixar que meus quadris largos sigam seu ritmo e te provoquem num grau de misericórdia. Arranque minhas neuras nas mordidas, faça com que meu sangue ferva nos tapas.

Lembre -se que sou cheia de não me encoste, no entanto imploro seu tato em cada milímetro do meu corpo. Quero poder gargalhar e beber contigo.  Sua fala estimula cada articulação minha, provoca toda contração e o relaxamento dos meus músculos. Basta pensar em ti. Me basta lembrar de nossas noites, que poderiam ser manhãs ou tardes. É diferente. Com você parece que pertenço a alguém, logo eu, que nunca me senti parte de nada.

Dá um sinal de que o tesão que me atormenta também te deixa sem dormir, também explode sua cabeça quando lembra das minhas antigas sandices. Finjo que sua falta não me abala, mas é só pra não te dar moral. A seca chegou aos extremos no meu reino e superou meu orgulho misto com teimosia. Já não aguento mais. Não tenho pra onde fugir.

Me enforque enquanto estiver dentro de mim, seja meu mestre  nesse jogo de submissão. Ate e desate minha coleira, use vendas, velas, enfie devagar cada pedacinho de sua língua, pau, alma, maldição. O que quiser.  Eu baixei a guarda, não adianta temer sua reação. Seus ímpetos me ganham, meu medo torna-se prazer no seu mundo.

Perdoa meus surtos infantis, já falei que não me concentro na sua presença. Eu viro bicho. Bicho com fome. Animal sedento não raciocina. Age. Ataca.

Envolva meus seios em suas mãos, não me deixe partir sem gozar. Mande em meus atos. Transforma meu dia. Me tira desse árido. É súplica. Desespero. Vontade. Beba goles de mim junto com suas doses mais fortes, arranque de minha insegurança os mais intensos orgasmos. Me chupa? Me beija? Me come? Dá carinho, eu só preciso um pedaço de atenção. Adormecer em seu abraço.

quarta-feira, 3 de maio de 2017

POR FAVOR ENTRE, NÃO É SEMPRE QUE ME ENCONTRO ASSIM.

Por muito tempo sonhei com amor, com as instituições legais da felicidade, era coisa de criança, uma época distante em que a inocência habitava em mim, mas cresci e crescer não é tão bom quanto parece. Me golpearam com força as porradas do se perder, se perder para se achar ou encontrar, algo assim, mas não é tão belo como na frase, como na teoria ou na poesia...

Perdi mesmo. Me perdi de mim, perdi os outros, perdi os planos, perdi os sonhos e a crença em finais felizes. Contudo, isso não seria problema se apenas eu fosse o mal da Terra, porém, as pessoas são más, são vazias e completamente interessereiras. E eu, justo eu que pensei que nada mais me restava para perder, para destroçar-me, me pego novamente buscando amor, buscando olhares, um toque, algo além da pele, um abraço sem segunda intenção, além do instinto animalesco que toma conta de nós em determinadas situações. Apenas queria sentar ao lado de alguém e poder rir é sonhar.

Faz tempo que não sonho, que não faço planos, que não tenho com quem dividir coisas corriqueiras. Estou há muito tempo praticando o desapego o ame e deixe ir que volta... Viver assim é uma puta de uma mentira, das mais nojentas. Nada nunca volta, nunca me amaram tanto a ponto de não querer partir. Nunca me senti importante. Clichê? Sei bem disso, mas saiba que as vezes nessas veias o sangue ferve por sorrisos, palavras, carinho. Não são apenas fodas selvagens que me tiram o ar, que me dão vida...

Choro diante de cenas de amor, eu  invejo trocas carinhosas de olhares e respirações sincronizadas. Existem noites em que vibro com poesia, aumento minhas músicas e desabo sozinha. Isso tem sido rotina. A rotina me destrói.

Finjo muito bem cercada de desconhecidos, as máscaras me servem e tudo está sempre na mais perfeita harmonia. Meu fraco são os demônios, diante deles não consigo fingir. Não consigo ser menos. Os demônios sabem que com eles, e somente pra eles, eu mergulho em absurdos e exageros. É ridículo, eu forço a barra. Ou forçava? Acho que na verdade tudo tem me cansado muito. Correr atrás, se doar, estar presente, são coisas dificílimas de se fazer utilizando uma força só. E eu cansei.

Mais pelo desamor, na verdade. Talvez seja a falta da recíproca que canse a gente. Olha, eu não consigo relaxar, minha cabeça vive a mil por hora. É o signo, é a TPM, é o trabalho, a carência, a puta que me pariu e que nos acolhe tão bem.

O que eu quero? Gostaria de saber quando é que você lembra de mim, quando e o quanto sente minha falta... Só nas suas trevas? Eu tenho espaço na sua redenção? Qual música poderíamos dançar juntos? São coisas simples. Apenas diga e pronto, encerro os dramas.

Estou acostumada a ser ignorada, queria experimentar ter um pouco de atenção. Ou não. Essa coisa também cansa, me assusta. Mas me chama, me grita de saudades, diga onde está você?  Pode até telefonar. Eu, que detesto expor minha voz eletrônica, adoraria virar horas na linha contigo.

São poucos que despertam esse vazio em mim, eu sigo fugindo desse bicho maluco beleza que sou. Não há como ser sempre na mesma intensidade, e dói ainda mais tentar aprender isso. Posso até assustar, mas acredite, sinto tão ou mais do que qualquer vadia por aí. Não me jogue no cesto das vagabundagens comuns. Acontece que meu demonstrar é estrondoso, acho que até afasta. Por vezes me faz ter vergonha de sentir, de querer, de me permitir a um simples afeto que seja. Releve as minhas neuras. Me convida pra dormir e me envolve num abraço? É por cuidados  que clamo, tenta me ler, senta aqui perto e tenta me entender. Faça um esforço.

O desamor cansa, esse jogo besta dos jovens em que é vencedor aquele que demonstra menos. Isso não é pra mim. Essa porra toda cansa. Você sabe como é, as pessoas, a sociedade, as amizades, o casamento. Tudo te cobra, mas não investe, não trás retorno.

Não faço cobrança por pouco contato, acho que te ver pouco alimenta ainda mais o que sinto. Te ver um dia no mês, já vale pelos próximos cinco que estaremos fora um do outro. Antes eu pedia por almas, hoje só quero troca. Poder descansar em ti, e também em mim. Gratuitamente. Em paz.