E de repente tudo se fez escuridão. Não havia forças pra lutar, vontade de gritar, impulso pra correr...nada. Não havia mais nada aqui dentro.
E eu tentei. Tentei não pensar, tentei ocupar a cabeça, conheci gente nova, visitei lugares desconhecidos, matei vontades antigas e ainda sou um ser insuficiente. Nada me faz bem, só suga. Só me crescem as faltas, a vontade de chorar, os sentimentos de não pertencer à natureza alguma. Não sou de nenhuma espécie. Nem família eu tenho. Ninguém que se importe.
Mas que se danem os outros, deixei de fazer comparações. Voltei a estudar. Dancei outros ritmos. Procurei mais de um emprego, de alto a baixo. Segui e desobedeci conselhos. E de nada valem as boas notas, de nada vale ser presente. Saber falar corretamente também não adianta. Uma entrevista não dava certo por pouca experiência. A outra não dava certo por muita experiência. Eu estou velha. Tudo recém construído e arruinado, tal qual a música eu estou todinha fora da nova ordem mundial.
Não entendo nada sobre mim, só sei confortar e dialogar com alheios. Desisto fácil de seguir meu rumo e quase sempre me arrependo dos meus ímpetos de coragem, eu me conformo com qualquer coisa.
Como pode tanta gente cu dar certo? Como pode alguém nunca despertar o interesse de nada que me ronda? E essa sensação de sacola molhada no estômago, passa quando? Quando isso tudo acaba? Onde aprenderam a tomar tanta distância de mim? De mim e do que desejo, distanciam-se sempre de meus toques, minhas lágrimas, meus anseios... Todos estão sempre tão longe...
Que acabe pela manhã todo esse lixo que sou e sinto. Assim que eu não acordar. Que nada mais de mim exista. Nem mesmo saudade. Sentimento póstumo de nada adianta. Quando isso tudo vai acabar? Se é que um dia acaba...
Nenhum comentário:
Postar um comentário