segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

QUANDO A PUTA DESPERTA EM MIM

Esses dias passeando por minha página no Facebook vi uma frase que resumiu muito alguns instantes de minha vida. Uma amiga simplesmente vomitou no "o que você está pensando?"  e mandou, sem medo dos olhos direitosos, puritanos e conservadores, que vivem naquela rede social "Aqueles dias que a gente tá com a puta no corpo". Então eu tive que refletir e concordar, tem dias que uma puta também desperta em mim, e até mais bonita eu me sinto. Só quem sente o mesmo entenderá.

Santa Puta do batom vermelho, espartilho e salto alto. A divindade que roga por nós, suas pobres filhas que sofrem pelos mais variados tipos de canalhas, nas calcinhas pequenas e apertadas, no bojo amigo, na vontade que dá em gemer alto quando se está num silêncio de catedral, na depilação de cera quente ou nas sessões caras do laser, até mesmo naquela tirada de pêlo bem meia boca que faz a gente bater a gilete no box do banheiro. A Santa Puta está ali conosco, sempre nos deixando cair em tentação e não nos livrando do mal. Os dias em que ela acorda em nossos corpos, não há como exorcizar e tentar se salvar andando pelo caminho do céu. O negócio é correr pelada no deserto do Saara, dar a bunda pra bater.

Quando estou virada na vadia, não tem o que segure. Nem eu aguento. Tem que parar o trabalho pra tirar a roupa, tem que arranjar alguém pra atiçar, algum pobre desgraçado tem que sofrer comigo, não sei passar vontade. Delirar de tesão sozinha pode até se bom, com ou sem a ajuda dos brinquedos abençoados, mas, em algumas ocasiões, ter quem atazanar é ainda mais gostoso. Bom, eu acho.

Mesmo estando um calor dos sete infernos, a vagabunda acordou comigo, e só consigo ter lapsos, umas alucinações , transas que jamais acontecerão, outras que já não acontecem mais, mesmo assim ainda vivem em mim. E o fogo sobe. O que eu faço? Baixo a guarda e suplico uma foda? Mando uns nudes aleatórios só pra poder ter com quem despejar algumas putarias? Não sei, a santa não ajuda nessa hora. Ela só atiça. "vai chama o cara, convida a amiga, bebe mais... Põe aquela calcinha vermelha só pra tirar foto. Manda pro ex, pede pra ele mostrar pra atual." É, sandice pura da puta. Malditas putas. Ou benditas sejam elas, já não sei mais.

É como a introdução de you can leave your hat on, ao vivo, no último volume, com Joe Cocker extremamente alcoolizado incomodando os vizinhos religiosos. Assim são os dias que a puta habita em mim, cheios de solos fortíssimos e letras provocantes. É como estar nua diante do Diabo e tomar um gole quente do whisky depois de meses de sobriedade.

Eu escrevo e falo coisas sem sentido, cogito dar pra qualquer um, praticar a arte da chupada sem mais apelos, chamar pro motel e dizer "eu pago" é isso que a puta faz comigo, e sinceramente, eu gosto de dias assim. Nesses dias em que a piranha, a vadia mais apertada do bordel, resolve andar comigo, não existe o que eu não queira fazer.  Tudo flui gostoso, simplesmente por instinto.

Um comentário:

  1. que delicia! dessa forma é muito bom, é bom conhecer alguem que tope tudo, dias em que putaria está solta

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