Passei por um tempo no lado correto da força. Aquela vida normal, sabe? Casa, trabalho, trabalho, casa, horários a cumprir, contas pra pagar, rotina. Isso não é pra mim, não mesmo. Precisava errar, precisava de canalhas ao meu lado, mulheres malucas, algo fora do teto comum que estava me abrigando. Enlouquecer deve ser mais um dos meus sobrenomes, ou talvez um novo alter ego. A normalidade não tem gosto bom, sei lá... Apenas não cabe em mim, ela emperra no quadril como uma skinny apertada. Não que eu goste de sair do sério todos os dias, não é isso, mas a personagem serena e correta também não cabe em todos os meus dramas.
O pilar do trabalho se ruiu, ótimo. Um tempo pra mim. O que posso fazer? Várias coisas, acredito. Sumir é a principal delas. Acabou, não tenho mais tempo pra fingir gostos. Não tenho mais vontade de não priorizar os meus sonhos. Abandonei a matilha, cadelas de rua se viram muito bem sozinhas, e, de vez em quando, até escolhem um dono que possa oferecer carinho, comida e companhia. E isso cura qualquer coisa, até a desgraça da rotina. Ferida que seca, caminhos que seguem, mais cervejas pra gelar e alguns pecados deliciosos pra cometer. Por que não? Adaptar-se é uma merda, o inferno é aqui mesmo, então tratemos de nos deitar com o capeta.
Enfrentei também sala de espera de motel fuleiro, nada de beira de estrada - a coisa era pior-, frente de estação do metrô de São Paulo. Linha vermelha às seis da tarde, calor de 27 infernos, tesão guardado por meses. Um caos. Sem poses, sem carão, sem álcool. A atitude mais correta ali era apenas descer do salto.
Fodas insanas e inimagináveis também são de extrema importância para estancar a chatice de uma vidinha padronizada pela atuação de tolerar idiotas e na aceitação de relações medíocres. O gostoso é chupar pra exorcizar, desviar do caminho bom, abandonar o gosto do tédio, esquecer a mesmice e ser esquecida também.
Vou tirar umas férias de tudo pra ser maluca novamente. Ser louca, acho que é só pra isso que ainda estou aqui.
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