Eu pedi que não houvesse meio termo em nossa convivência e clamei por sua alma a cada respiração que demos juntos. Jurei não me importar com seu ódio, praguejei sobre tudo o que passamos, e mentindo pra mim mesma, aguardava ansiosamente sua volta. Bradava a todos que não teria medo do reencontro, mesmo assim evitava ao máximo frequentar lugares que você pudesse estar e recusava qualquer trago, qualquer perfume, qualquer porre, qualquer causo ou drama que envolvesse sua presença.
Assim então o desejo se cumpriu, nosso ódio transpareceu nos gestos, todo o entusiasmo de nossas memórias se solidificou no tédio. Não encostamos a cabeça na parede e sofremos a overdose um do outro, todas as promessas tiveram fim e fingimos que nada houvéssemos dito ou sonhado. Sensação de dever cumprido. Desejo saciado, tarefa concluída. Os vampiros voltaram a Gomorra, não há mais sangue para sugar, ou sustentar essa relação.
Segui mais, e bem melhor, sem tua presença. Mas os demônios anunciaram sua volta, e mesmo com medo de fraquejar, permaneci aqui. Isso ainda te doía, pois eu sempre estive. Talvez agora seja compreensiva e menos egocêntrica, mas ainda estou no lugar que você encontrou e deixou. Não que eu tenha passado a aceitar tudo, ao contrário, passei a me importar menos. Seu ar mediano me enojou, provocou risos sob um leve desespero. A felicidade forçada e a tentativa de reaproximação me renderam torções e dores demasiadamente fortes no fígado. Ouvir um convite seu, era como rever um filme ruim. A verdade é que eu poderia tomar porres homéricos com os Bárbaros mais cruéis do vilarejo, mas não voltaria a dividir a mesa com você. Lo siento, eu vivo nos excessos. Eu prezo os escândalos.
Não há mais preocupação em ajudar, nem a necessidade de ouvir seus problemas.Quer fazer merda? Faça merda. A abstinência de nossas conversas diárias cessou. Exclua-me de seus planos, não existe um calendário com finais de semana em que eu possa te ver. As escapadas durante os dias de trabalho também não existem mais. Mudaram os hábitos, gostos e lugares. Nós nos superamos e agora só resta aceitar isso.
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