O que me faz puta? Sério, me diga. Diga claramente e em bom som, qual o problema com esse adjetivo? Acredito que o maior equívoco com essa palavra curta e de significados diversos seja apenas a entonação. O mal não está na profissão, nem mesmo no meu batom vermelho, muito menos em meus micro vestidos e saltos gigantes.
Meu cabelo longo, ou curto, também não explica esse título. Então, o que é? É por não esconder meu desejo por sexo e apenas isso? É por não mascarar interesse? Se essa é a razão, sinto muito, mas não posso deixar de me excitar apenas pela presença de certos corpos, ou por ouvir algumas vozes. Talvez seja meu palavreado e o jeito de me portar. Eu peço pra apanhar, aguardo ansiosamente por gritos de prazer, ajoelho, dou risadas escandalosas, danço com a música mais alta. Fico porque quero, e somente enquanto quero. Elogios, presentes, carros e mimos materiais não me nutrem. Não há sensação melhor do que sentir o êxtase que o outro tem através dos meus toques. Minha língua. Companhia. Olhares. Arranhões. Tapas. Sussurros. Respiração longa. Gozo. Alma. Puta. Puta? Puta de quem? E pra quem? Me diga, isso é mesmo ruim?
Verdadeiramente as vadias não me irritam, desde que não sejam burras. Aí o problema deixa de ser por vadiagem e se torna questão de não aturar nenhum ser com pouca, ou nenhuma inteligência, mesmo. Putaria não irrita, burrice sim.
E se eu disser que o fato de sugerir uma ida ao bar, apenas para rir da vida, falar besteira, derrubar caixas e mais caixas de cerveja, pagar a conta ou andar por aí sozinha, também não são indícios de que eu cobro alguns dinheiros pra transar. O que me diz? Puta, na mais simples tradução é isso, não é? Cobrar para transar.
Uma vez me disseram que todas as mulheres cobram algo, e também já ouvi que todas se tornam putas e, se isso não ocorre, algo está errado. Vamos primeiro às cobranças. Sim. Eu cobro. E cobro caro, não possuo sangue frio para fixar quantia monetária, mas, peço alma. Atenção. Amizade. Presença. Bom, vendo por esse lado, eu transaria muito mais se taxasse apenas algumas granas por hora. Aí é que vem minha admiração e respeito por putas, entregam-se a corpos, não aos espíritos. Cavalgam friamente, e tudo segue de jeito profissional. Não beijam, com chupada sobe o preço, pra cada loucura mais notas, aceitam cartão e podem emitir nota. Há também quem faça isso gratuitamente, não? Então como distinguir a classe? Melhor, por que menosprezar esse grupo? Segundo, ficar puta da vida, ser chamada de louca, entristecer por carência, passar a tarde fazendo compras, unhas longas, cabelo colorido, ter tesão, rejeitar cantadas baratas, não aceitar carona, rebolar até o chão, se animar com doses Whisky. Apenas coisas que acontecem com todas. Não é uma exclusividade das putas.
A teoria de que o problema com a palavra é apenas a entonação é mais que válida. Roupa de puta, porque você não tem coragem de usar. A puta que roubou o seu marido, bom, talvez ele também não quisesse permanecer.
O palavrão bem contextualizado não ofende ninguém, a palavra puta e suas ramificações: cachorra, cadela, vadia, cretina, gostosa, desgraçada, demônia, delícia, mal criada, maldita etc. O que nos faz putas? E quando isso é ruim? Quando se torna bom? O que cobramos? O que fazemos de graça? A verdade é que basta apenas contextualizar, acertar o tom e pronto. Guerra ou paz. Ofensa ou elogio. Sem delongas, peço de novo que me diga: O que me torna puta? Isso te faz algum mal ou bem?
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