quarta-feira, 13 de julho de 2016

UMA SEMANA E MAIS SEIS MESES

Faz apenas uma semana, mas parece tempo pra caralho. Hoje completa uma semana inteira que não nos falamos, e junto com a semana, a metade do ano, as páginas mais frias de uma história quase debutante. Meio ano que as conversas jamais foram as mesmas, um semestre sem a rotina de ouvir sua voz rouca com sotaque forte e aguardar ansiosamente os finais de semana pra te encontrar e dançar nossas músicas favoritas. São sete meses sem cair na gargalhada com suas sandices, sete folhas e meia de um calendário sem ficar brava com sua indiferença, sem hipnotizar observadores alheios, sem fazer cena de ciúmes com suas novas amizades, sem sua presença, sem nada. Um período temperado com condimentos fracos e servido morno, sopa pra doente tem um sabor melhor que isso. Meia dúzia de ovos crus num copo, gosto horrível, mas que faz bem a longo prazo. Eu sinto sua falta, mas eu me acostumo. Sempre me acostumo.
Poderia colocar meu orgulho na privada e dar umas três descargas, dando zero fodas para a falta d'água e te colocar de novo nas prioridades do meu dia, porém, contudo, todavia, já não tenho forças pra isso. Acho que a preguiça é maior que todas as minhas vontades, ou talvez seja o medo de ouvir suas respostas frias novamente. "Sempre acontece alguma merda, por isso não ligo pra nada e estou sempre suave", invejo esse dom. Sempre ligo pra tudo, nunca fico de boa. Isso que me mata.
Então, agora irei comemorar meu ano novo, aprendi com seu jeito que de saudades ninguém morre, e isso saiba que irei sentir nas próximas cinco folhas que restam para o ano acabar. Não sei se devo pedir desculpas pelos dias em que falei que não queria amor e desejava apenas transar bastante, talvez eu quisesse carinho, quem sabe eu queira ainda. Acontece que não acredito no seu sentimento, acho que ele vem em lapsos, você diz que ama, você larga, você não se importa e crê que isso é liberdade. Isso me deixa confusa, acho pouco que prefira admirar minhas fotos do que sentar-se junto a mim para jogar conversa fora ou morrer num abraço, do que ficar sem respirar nos segundos que antecedem o gozo que meus toques causam em seu espírito, ou causavam "o tesão nem vem sempre, me desculpe, não queria te deixar na mão". Detesto mixarias, coisa nenhuma vale esse papinho de te amo. O seu amor é o próprio, não cabe mais ninguém aí dentro. Não tenho a senha de acesso pra entrar na sua fortaleza, muito menos jeito para pular seus muros, e caso isso um dia aconteça, seus guardas armados de pouco caso me matariam novamente. Já não tenho tantas vidas pra gastar assim, escreverei novas aventuras para minha personagem, serei eu a protagonista da porra toda. Raspas e restos não interessam mais, menos ainda suas mentiras sinceras.
Acredito mesmo nos gestos fortes de ímpeto, aquela falta de controle que sempre nos caracterizou. Sabe... Aprendi a me controlar e por isso não consigo te procurar mais. A reação química chegou ao fim, e é uma pena. Nunca acreditei em nada nessa vida, mas te juro, achei que nossa loucura duraria por séculos. Sei também que tudo isso é balela, eu tremo e choro de te ouvir cantar, eu apago fotos e reviro as lembranças, eu te ignoro somente o tempo em que não vem me procurar, mas, se vier, já sabe..

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