Eu poderia discorrer sobre seios, bundas e coxas. Paus de variados tamanhos, corpos nus vestidos de desejo. Poderia ser apenas sobre isso, mas não é.
Posso abranger os mais nobres sentimentos, deixando a lealdade reger todos os gestos de parceria, recíproca e sororidade.
Você talvez se assuste, mas afirmo que pode confiar em mim. Me sentir além dos bruscos movimentos. Sentir cada pedaço meu, apenas por subentender minhas palavras. Todas elas.
Me fazia e ainda faço perguntas. Gostaria que tivesse boa vontade de me responder algumas delas. Você faz ideia de que, enquanto adentrava meu corpo, eu te entregava também minha alma?
Enquanto eu entrelaçava minhas mãos às suas, você tinha noção de que um pouco da minha vida passava a te pertencer?
Passou algum instante pela sua cabeça que a cada convite seu que eu aceitava, aceitava também trazer suas histórias comigo?
Talvez minha maldita personagem, que insiste em ser autossuficiente, tenha te enganado tão bem, ao ponto de que você jamais consiga acreditar no meu lado frágil.
Mas por favor, acredite.
Eu vou parar com isso.
E não é drama. Eu gosto de você.
Me faço de forte o tempo inteiro, porém, contigo me deixo levar. Gosto de cair num abraço, de me sentir amparada. De colo. Afeto. Bronca. Carinho. Massagem nas costas. Se olhar em silêncio. Virar a noite conversando.
Morder. Chorar.
Você sabe.
E tudo isso é sobre o quê então, se não é sobre amar seu pau e pedir por fodas incansáveis?
É sobre sentir. Sentir falta. Estar com saudades. Tédio e insatisfação.
Embora eu fale sobre corpos nus, meu maior desejo é tocar almas nuas. Isso eu nunca li, nunca me ofereceram, nunca tomei. Recusei a aceitar.
E aí, que está errado em mim?
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