quinta-feira, 21 de dezembro de 2017

ESTOU ABERTA, MAS NÃO ME TRATE COMO UMA PORTA.

Eu odeio retrospectivas, simplesmente porque não gosto de olhar para o passado.

Não respeito passados, nem os meus, nem os de ninguém. Talvez seja um defeito meu, ou minha maior virtude.

Detesto tudo que já passei e ouvi. Não detesto por egoísmo, eu apenas não gosto daquilo que não consigo esquecer.

Palavras e mais palavras ditas ao vento, coisas que senti e pensei serem recíprocas. Vontades deixadas de lado, sapos engolidos e vomitados em crises de choro e ansiedade.

Morri em 2013, não me recordo de nada antes disso. Em 2017 quem morreu foi minha saúde mental, minha paz de espírito, meu amor próprio...

Meu corpo testemunhou a merda que esse ano fez comigo, as memórias que eu desejo esquecer. Pra sempre.

Chorei de angústia e insatisfação com nem sei o quê de janeiro a dezembro. O ano financeiramente bom e pessoalmente terrível.

Quase sempre estive sozinha, e, quando recebi gestos de carinho, verdadeiramente me assustei. Uma mão nas costas, um abraço, uma conversa demorada... Tive pouco disso, não sei lidar.

Me assusto sempre com afagos e confissões. Eu não confio no sentimento de ninguém. A maior razão de odiar passados é não poder voltar e fazer diferente.

Minha sensação de par é aquela de que os homens da minha vida até podem gostar de transar comigo, mas não chegam a gostar de mim. Eu até me esforço, mas acabo por afastar... Desacreditar seria a palavra correta.

As amizades também vêm ao meu reino, no entanto, assim na terra como no céu, minhas vontades jamais são feitas, eu corro por eles. Eles bocejam por mim.

Eu ensaio a resposta aos seguranças de bares e shows "não estou sozinha, estão lá dentro me esperando"

É mentira. Não há ninguém esperando. Eu não estou na retrospectiva da vida de vocês. Eu simplesmente passei. De maneira rápida e insignificante.

A maior desgraça é lembrar de tudo com frequência. A cabeça não aguenta.

Ouvi dizer que palavras machucavam, ainda mais acompanhadas de lembranças ruins. Na realidade tudo dói. Principalmente no sábado à noite.

Ontem me disseram que meu defeito era caprichar demais. Eu discordo. Não há caprichos em mim, fui batizada na insanidade. Na intensidade. A personificação dos 16 toneladas.

Ainda bem que esse ano está acabando, e assim, todas essas malditas memórias eu finalmente poderei enterrar.

Eu peço que ano que vem você não me trate como uma porta. Pode até bater e me abrir, trancar, destravar e empurrar. Só não esqueça que diferentemente de todas as portas da sua casa eu sinto, sento e choro.

Não me importo.

A mentira deslavada que não canso de contar.

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