Não me peça paz na Terra e boa vontade, não hoje. Não com essa maldita cólica que estou sentindo.
Não me peça compaixão, sororidade, recíproca e paciência. Não hoje. Não nessa segunda-feira chuvosa parida de um final de semana marinado na ressaca e na solidão.
Não venha com essa de fazer o bem sem olhar a quem. Eu não estou de bom humor. Nem lembro quando estive.
Não esfregue sua felicidade, seus amores e muito menos suas conquistas e autoconfiança. Respeite o meu direito de me sentir um lixo. Olha, eu não estou afim de debater sobre desigualdade, sobre política, vida ou morte. Eu não quero nada. Nada.
Hoje não. Hoje sou quase nada.
Eu não quero que pense que estou a beira de tirar minha vida. Jamais teria coragem pra isso. Eu quero viver. Quero me me vejam bem e melhor que todos. Mas eu não tenho coragem de ser melhor, eu não me atrevo. Pelo menos não agora. Não essa semana. Muito menos hoje.
Só hoje, eu queria ser como uma dessas garotas normais. Dessas que todo cara se apaixona. Essas que parecem sempre lindas e limpas, não importa se é final do dia na linha vermelha lotada do metrô.
Essas mulheres que tem mil contatos, várias conversas, vários admiradores e são chamadas de amor. Eu sofro com ânsias fortíssimas, e faço silêncio. Apenas 1 minuto de silêncio pra um tipo de vida que nunca terei.
Hoje eu acordei com a certeza de que minha vida não será muito mais do que isso. E me conformei. Só hoje eu me dei conta.
Se aos 25 anos eu não tenho o amor da minha vida, vivo sempre só e sofro, mesmo dizendo que não. O que há pra mudar? Nada. Conformar-se. Conviver.
Não, hoje eu sei que paixões, amores, vidas compartilhadas, toda essa bosta de história bonita, nenhuma dessas coisas foi escrita pra mim ou por mim. Comigo tá sempre tudo bem. Ninguém se lembra. É drama. É frescura. Não há do que sentir falta, ou perguntar: você está bem?
Não. Especialmente hoje eu não estou bem. Não vou nada bem. Na verdade nunca andei bem. Mas sinto falta de poder simular aquilo que sempre quis ser. E nego. Sempre negarei.
Eu, já me acostumei. Sou a última foda rápida de sábado à noite. Sem bom dia seguinte, sem boa noite, sem eu gosto de você. Muito menos eu te amo. Eu me contento em ser a companhia quando não há mais pra quem correr, o afago no ego da solidão alheia e o choro na minha própria treva. A sobra. Raspas. Restos. Meia tonelada de apenas migalhas. Essa sou eu, um punhado de mentiras de cabelo e peito falso.
Eu, sou e ofereço apenas isso. Nao fica nem quem quer. Eu espanto. Tudo. Todos. Eu me arrependi e me arrependo.
Apenas hoje já não quero mais. Só queria me sentir um pouco menos
Mais um belo texto! as vezes só precisamos de um tempo para organizar as ideias , mas sabe...devemos estar com alguém que sempre vai nos ouvir e dizer palavras confortantes, isso torna nossos dias melhores!
ResponderExcluircontinue escrevendo, sempre estarei te acompanhando!