sábado, 26 de agosto de 2017

ME DIZ DO QUE VOCÊ GOSTA EM MIM

Há certas inseguranças em minhas gavetas, poucas pessoas me destravam.

Há uma garrafa de Jack lacrada em cima da cômoda. Ele não bebe. Eu não bebo sozinha.

Há dias em que me sinto um monstro, eu já não mando nudes. Tenho vergonha de me exibir. Eu digo que não gosto de ficar por cima. Embora eu queira, eu escondo. Eu tenho dessas. Me acho grande demais. E eu sempre assusto alguém. Então eu me retiro. Coloco qualquer coisa na boca só pra ficar bem...

Ele me disse "eu gosto de você chupando", e eu não disse nada. Pensei em perguntar por que, mas deixei pra lá, tem coisas que eu gosto apenas de ouvir. Sentir. Saber.

Há um cinzeiro vazio no quarto. Ele não fuma.  Aquela era apenas uma conversa sobre nossas transas e amizade. Meu tipo de terapia. Os cigarros não eram necessários.

Eu disse "eu gosto de chupar" e ele balançou a cabeça concordando comigo. "É, eu percebi".

Ele perguntou "alguém mais transa com você assim, nessa loucura?" . E isso me lembrou de um tempo que talvez não volte mais. Talvez tenha me recordado de gente que eu deveria esquecer...

Eu respirei fundo .

Respondi "Só estou com você..." e claro, ele retrucou, não por não acreditar, mas talvez por vaidade. O ego masculino tem certas coisas inexplicáveis.

"Mas e os outros?" Ele insistia sempre em me fazer falar mais de mim do que das coisas que me rodeavam.  Sempre tive um jeito tosco de me demonstrar, fui me revelando aos poucos, mas pra ele já não era difícil escancarar meus demônios. Ele tinha se tornado mais um deles.

"Eu não transei com muitos, não do nosso jeito... Eram sempre coisas rápidas. Sem muito papo. Tive um amigo louco, talvez o único meio parecido contigo. Mas a doideira era diferente, éramos jovens e bêbados... A juventude tem dessas piras. Você manda em mim, é diferente."

Ele sorriu.

Não, não havia arrependimento das fodas antigas. - Confesso que ainda existem momentos de muitas saudades -  Acontece que as perguntas dele, nossas conversas pré e pós coito, me excitavam mais que do que qualquer preliminar. Talvez fosse isso que eu buscasse em outro, ou o que eu nunca tive antes, quem sabe fosse a única coisa que precisasse ter.

"E o que mais você gosta?" , de novo ele me enchia de perguntas, talvez por simples curiosidade, talvez por querer mesmo saber. Infelizmente eu sou dessas que menospreza o sentimento alheio. Egoísmo leonino é algo difícil de explicar.

"Gosto quando me come no chão"

"Gosta? Por quê?"

"Me sinto vadia, me sinto sua... Gosto do jeito que manda em mim, sei lá. Algo em você me deixa ser cadela e me sinto bem assim."

"É, você não presta."

Eu sorri.

Eu não sinto falta dos porres, muito menos das madrugadas viradas por nada. Aprendi a me embreagar com conversas simples. Eu prefiro não prestar

Há grandes incertezas em meu caminhos. Não sei mais se quero voltar e dizer o que ainda me faz e engasgar. Tem dias em que o arrependimento bate mais forte que a loucura e eu peço desculpas, só por ser hipérbole assim.

Ele me disse

"Pode ser louca. Eu gosto"

Então, apenas olhei pro meu passado e finalmente desisti. 

Um comentário:

  1. Belo texto! nada melhor quando a mulher se entrega totalmente ao homem, mostrando aquele lado submisso!

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