sexta-feira, 28 de agosto de 2015

SINTO MUITO, NÃO PODEMOS MAIS BEBER JUNTOS

Era uma festa com gente que eu gostava muito, não era a primeira vez que beberíamos juntos, mas sentia que poderia ser a última. Ele estava lá, o dono da festa, bancando tudo e todos, o cara que aprendi a admirar, que me ensinava muito, e o mais importante, me fazia rir das coisas mais simples. Além de me contar ótimas histórias.
 Gostava de sua companhia, queria que meus amigos o conhecessem, o  aproximei de vários, que também o curtiram e passaram a dividir vida com ele. Tive ciúmes, mas não havia como evitar a força que o dono de tudo exercia sobre os outros. Enfim, apesar disso, algo estava me cansando, suas piadas não tinham graça, eu não curtia mais ouvir seus causos, sua presença não me trazia a mesma alegria.
 As pessoas mudam, pensei. Procurei levar em conta os problemas que estavam o atormentando também. Julguei não ser mais boa companhia, sempre há alguém mais interessante. “Você não me ama mais”, ouvi… Talvez ainda amasse, mas não com a mesma intensidade. Nunca fui boa em demonstrar interesse, parece que gosto muito ou parece que não estou nem aí. A verdade é que não queria perdê-lo, estava disposta a reavaliar tudo e retomar o convívio agradável de antes. 
Nada como um bar repleto de amigos para refazer a imagem de alguém, talvez a admiração voltasse. Acredito que às vezes ela seja melhor que o amor.
Após várias cervejas, risadas escandalosas e apresentações, na forma mais pura de descontração, ele atravessou o bar, e por me conhecer bem, disse:
 - O que acha de eu pedir um whisky? Você bebe comigo?
Sorri e respondi:
- Você é o dono da festa. Tem de fazer o que achar melhor.
-  Ótimo! Fecharei uma garrafa!
Lindo! As coisas pareciam voltar ao começo, não pela bebida, sim pelo entusiasmo, pela lembrança. Vamos dar uma chance, a gente merece bons papos e bons drinques.
Chegou a garrafa, um Red Label e umas latas azuis de energético. “Aaaah, não!” - pensei. “Devo estar realmente chata, isso não incomodava antes” Encheu a metade do copo de gelo, colocou o álcool e completou com a bebida mágica que dá asas. Me ofereceu. Aceitei, pois é um pecado dos maiores recusar, mesmo eu não curtindo a mistura, a intenção era boa.
O papo de bêbado e as piadinhas infames não me entretinham mais, meu copo havia perdido apenas dois ou três goles. O amor se perde nos detalhes, concluí.  A graça de tudo também está nas pequenas coisas. Relevo o que não gosto, se a companhia me faz melhor. Já não era mais essa a nossa situação.    
No outro dia, outro convite: 
“Vamos beber às 18h?”
“Eu saio às 17h.”, secamente.
  “Eu sei, mas vamos às seis da tarde.”
“Eu saio às cinco.Obrigada”
“Ok. Entendi” 
Assim acabou tudo, não dava mais pra dividir a mesa com quem já não me encantava a palavra. Que apenas os bons momentos sejam lembrados. Li uma vez que só é bom manter as coisas enquanto são convenientes, achei egoísta na primeira, mas está certo. Tudo funciona melhor assim.

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