Acredito que nesses 12 meses ela tenha se descoberto de maneira que jamais ousara imaginar. Era mais sensível e mais mulher, chorava tanto aos desamores quanto às paixões. Nesse ano, a moça descobriu que não merecia passar por cólicas fortes, sangramentos, rituais de beleza, dívidas, lingeries caras, noites ruins e conversas fiadas, para acabar em fodas de emergência com quem não bebia de sua alma. Ela agora suplicava por uma transa com a vida, ansiava por uma força que a colocasse de quatro, afundasse suas costas e a penetrasse com o membro pulsando junto ao seu coração, gozando gostoso como suas gargalhadas e que a sujasse inteira: rosto, boca, seios e coxas. Alma. Desejava ser invadida, queria suas roupas e máscaras jogadas no chão. Algo que a tivesse por completo, sem medos, sem neuras, sem prisões.
Ela demorou meses para aceitar que oferecia euforia aos pequenos corações, demorou para compreender que amar era deixar livre, e ser livre também. Reconheceu seu reflexo nua no espelho, fez poses e decidiu, somente esse ano, que poucos mereciam tê-la assim. Orgasmos eram presentes que se dava sem data especial. De Janeiro a Dezembro, a moça completamente maluca, que gostava de chupar e ser penetrada com olhares, descobriu que não se deitaria com respirações fracas, não compartilharia suas fantasias de orgias gregas com meros sonhadores de aventuras medíocres.
Nas doses que queimavam sua garganta e deixavam seus toques ora leves, ora puramente sexuais, pedia apenas um cérebro que pudesse lamber. Era isso, a menina despertou sua originalidade, escrevia suas histórias, queria um prato de ideias novas, uma torta recheada com cérebros mais insanos que o seu.
E ela demorou esse ano inteiro pra compreender que de nada valem as pragas, que chupadas só valem se forem intensas e recíprocas, que só fica por perto quem quer e que a ansiedade é a pior maneira de morrer.
Então matou sua garrafa de Whisky, pediu por um novo ano de descobertas, anseios e fodas recheadas de tesão incontrolável com a vida.
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