terça-feira, 15 de dezembro de 2015

DELÍRIOS E DESEJOS PROVOCADOS PELA INSÔNIA

Comecei um devaneio de novo, são noites e noites sem dormir e já não consigo pensar em nada concreto. Lembro que estava imaginando, criando ou me relembrando de um corpo feminino completamente nu. Seios enormes e fartos, mas não conseguia me excitar, talvez ela fosse gorda demais, precisaria de uma foto de seu umbigo... Umbigos. Tara por umbigos. Tara por umbigos? É, é algo exótico. Não sei... Estou sob efeito de alucinógenos.

Mais uma noite sem pegar no sono, meus olhos pesam como sacos de meia tonelada, a mão do ceifador está em meu ombro esquerdo neste momento. Eu sinto o hálito quente do carrasco, ou da bruxa gorda de peitos gigantes e sem umbigo. A fumaça do cigarro embaça a visão, minha garganta aperta e quase me mata implorando por um gole de Whisky. Aliás, ela suplica por litros de Whisky. Queimação alcoólica ressuscita, aumenta a barra de ânimo nesse jogo em que estou preso.

Sinto o pulsar do meu coração diretamente em meu cérebro. Cada veia salta forte, cada batida é como uma agulha ferindo minha mente. É uma dor que vem em escala, ela é fraca e vai se graduando até ficar insuportavelmente aguda, sabe? É como se aquela enfermeira velha, que destrói qualquer fantasia com essa profissão lhe aplicasse uma Benzetacil. Não gosto dessa dor, não gosto da enfermeira, não gosto das pessoas que me rodeiam e das lembranças que me trazem. Elas não despertam nada, apenas asco. É preciso desejar quem está perto de você, querer com força, querer se despir junto, escancarar os maiores medos e desejos.

Só gosto de gente que me dê vontade de arrancar a roupa, tamanha a excitação que a presença possa provocar, sou um homem tido como estranho pelos outros, meus gostos são demasiadamente complexos. Me enche de tesão o papo, a inteligência e a segurança. Esse tipo de atitude que pede uns tapas na cara e umas mordidas. Você não consegue explicar o motivo de querer fazer isso. Mas faz. Faz só para sentir o arrepio, para sorrir de satisfação e constatar “era isso mesmo que eu queria”. Esse tipo de gente que cura a minha insônia. Os remédios ainda alteram o meu raciocínio, que já não é tão lógico normalmente. Nem posso afirmar que sou de exatas ou de humanas, posso ser frio e calculista ao mesmo tempo que consigo declarar odes ao amor e filosofar sobre a origem da humanidade. 

Minha cabeça agora é apertada por um grifo gigantesco e a imagem da senhora mal-amada não sai de meus pensamentos. Como será o umbigo dela? Talvez ela também precise de uns copos de Whisky, acho que completamente bêbada se tornaria minimamente interessante e não perturbaria minhas fantasias, e sim as completaria descendo amarga e docemente pela minha laringe. Posso imaginar seus gemidos me ensurdecendo. Se minha cabeça não doesse tanto, seria capaz de sentir sua respiração ficando cada vez mais forte, a vejo sincronizando-se aos meus movimentos, eu poderia ouvir o som de cada uma de suas articulações, posso pensar que ela teria um ataque de espasmos quando gozasse, acho que ela necessita disso. Quem sabe se ela abandonasse a antipatia e a cara de desgraça, pudesse assumir uma nova personalidade louca e ansiosa por três horas insanas de sexo em algum motel barato? O álcool tem essa mágica. Consigo imaginá-la em meias 7/8, saltos altos e finos, com o corpo envolto numa lingerie cara. Renda preta sempre configura uma boa imagem. Aposto que é isso que ela quer, por isso me tortura com essa maldita injeção de desânimo. Ela quer me sacanear, quer ver até onde aguento. Eu suporto torturas, o que me mata é o tédio.

Seguro a mão do ceifador como quem pega uma caneta para escrever, minha gana por um fim é infinita.  A dor é suportável, a falta de sono que me corrói. Só queria dormir. Queria morrer por alguns instantes e abandonar tudo: A enfermeira dançarina peituda. As noites recheadas de álcool e sexo, as tragadas longas, tudo isso pouco importa. Eu preciso dormir. Com os braços abertos, aceito a morte nossa de cada dia, que nos cumprimenta sutilmente a todo instante, nos saúda cordialmente num: boa tarde, e em mais de quinhentos: boa noite. Mas está claro que minha alma não será levada... mais uma vez. Não será tão fácil assim apagar minha aura. Assim como o nojo humano insiste em me perseguir, o desejo pela morte anda de mãos dadas com o amor pela vida.


A cada engolida seca – e desesperadora-  que me dá a sensação de, de... puta que o pariu! Me perdi no raciocínio... não se perca em minhas palavras, não se contagie com o que eu sinto, são coisas minhas que jamais lhe cairão bem. Não servem nem em mim... quem sabe eu queira dizer alguma coisa com toda essa reclamação? Talvez lendo de trás para frente isso tudo faça um sentido, ou talvez nunca faça e seja mais parecido com um bolo fecal do que com reflexão. Por hora fecharei meus olhos e torcer para que isso acabe, torcer apenas para que chegue ao fim.


Mais um porre que tomei Insanamente com Erik Lucas.

Nenhum comentário:

Postar um comentário