Comecei um devaneio de novo, são noites e noites sem dormir
e já não consigo pensar em nada concreto. Lembro que estava imaginando, criando
ou me relembrando de um corpo feminino completamente nu. Seios enormes e
fartos, mas não conseguia me excitar, talvez ela fosse gorda demais, precisaria
de uma foto de seu umbigo... Umbigos. Tara por umbigos. Tara por umbigos? É, é
algo exótico. Não sei... Estou sob efeito de alucinógenos.
Mais uma noite sem pegar no sono, meus olhos pesam como
sacos de meia tonelada, a mão do ceifador está em meu ombro esquerdo neste
momento. Eu sinto o hálito quente do carrasco, ou da bruxa gorda de peitos
gigantes e sem umbigo. A fumaça do cigarro embaça a visão, minha garganta aperta
e quase me mata implorando por um gole de Whisky. Aliás, ela suplica por litros
de Whisky. Queimação alcoólica ressuscita, aumenta a barra de ânimo nesse jogo
em que estou preso.
Sinto o pulsar do meu coração diretamente em meu cérebro. Cada
veia salta forte, cada batida é como uma agulha ferindo minha mente. É uma dor
que vem em escala, ela é fraca e vai se graduando até ficar insuportavelmente
aguda, sabe? É como se aquela enfermeira velha, que destrói qualquer fantasia
com essa profissão lhe aplicasse uma Benzetacil. Não gosto dessa dor, não gosto
da enfermeira, não gosto das pessoas que me rodeiam e das lembranças que me
trazem. Elas não despertam nada, apenas asco. É preciso desejar quem está perto
de você, querer com força, querer se despir junto, escancarar os maiores medos
e desejos.
Só gosto de gente que me dê vontade de arrancar a roupa, tamanha a excitação que a presença possa provocar, sou um homem tido como estranho pelos outros, meus gostos são demasiadamente complexos. Me enche de tesão o papo, a
inteligência e a segurança. Esse tipo de atitude que pede uns tapas na cara e umas
mordidas. Você não consegue explicar o motivo de querer fazer isso. Mas faz.
Faz só para sentir o arrepio, para sorrir de satisfação e constatar “era isso
mesmo que eu queria”. Esse tipo de gente que cura a minha insônia. Os remédios
ainda alteram o meu raciocínio, que já não é tão lógico normalmente. Nem posso
afirmar que sou de exatas ou de humanas, posso ser frio e calculista ao mesmo
tempo que consigo declarar odes ao amor e filosofar sobre a origem da
humanidade.
Minha cabeça agora é apertada por um grifo gigantesco e a imagem da
senhora mal-amada não sai de meus pensamentos. Como será o umbigo dela? Talvez
ela também precise de uns copos de Whisky, acho que completamente bêbada se
tornaria minimamente interessante e não perturbaria minhas fantasias, e sim as
completaria descendo amarga e docemente pela minha laringe. Posso imaginar seus
gemidos me ensurdecendo. Se minha cabeça não doesse tanto, seria capaz de
sentir sua respiração ficando cada vez mais forte, a vejo sincronizando-se aos
meus movimentos, eu poderia ouvir o som de cada uma de suas articulações, posso
pensar que ela teria um ataque de espasmos quando gozasse, acho que ela
necessita disso. Quem sabe se ela abandonasse a antipatia e a cara de desgraça,
pudesse assumir uma nova personalidade louca e ansiosa por três horas insanas
de sexo em algum motel barato? O álcool tem essa mágica. Consigo imaginá-la em
meias 7/8, saltos altos e finos, com o corpo envolto numa lingerie cara. Renda
preta sempre configura uma boa imagem. Aposto que é isso que ela quer, por isso
me tortura com essa maldita injeção de desânimo. Ela quer me sacanear, quer ver
até onde aguento. Eu suporto torturas, o que me mata é o tédio.
Seguro a mão do ceifador como quem pega uma caneta para
escrever, minha gana por um fim é infinita.
A dor é suportável, a falta de sono que me corrói. Só queria dormir.
Queria morrer por alguns instantes e abandonar tudo: A enfermeira dançarina
peituda. As noites recheadas de álcool e sexo, as tragadas longas, tudo isso
pouco importa. Eu preciso dormir. Com os braços abertos, aceito a morte nossa de cada dia, que
nos cumprimenta sutilmente a todo instante, nos saúda cordialmente num: boa
tarde, e em mais de quinhentos: boa noite. Mas está claro que minha alma não
será levada... mais uma vez. Não será tão fácil assim apagar minha aura. Assim
como o nojo humano insiste em me perseguir, o desejo pela morte anda de mãos
dadas com o amor pela vida.
A cada engolida seca
– e desesperadora- que me dá a sensação
de, de... puta que o pariu! Me perdi no raciocínio... não se perca em minhas
palavras, não se contagie com o que eu sinto, são coisas minhas que jamais lhe
cairão bem. Não servem nem em mim... quem sabe eu queira dizer alguma coisa com
toda essa reclamação? Talvez lendo de trás para frente isso tudo faça um
sentido, ou talvez nunca faça e seja mais parecido com um bolo fecal do que com
reflexão. Por hora fecharei meus olhos e torcer para que isso acabe, torcer
apenas para que chegue ao fim.
Mais um porre que tomei Insanamente com Erik Lucas.
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