sexta-feira, 4 de setembro de 2015

SOMENTE OS LOUCOS ME TRAZEM SORTE

Esses dias estava conversando com algumas amigas, as mais loucas da espécie, e refletindo sobre nossos comportamentos. Essas coisas que vivem nos atormentando e parecem nunca ter fim.
Pois bem, falando sobre a vida, sempre acabamos conversando sobre homens. Não adianta, o assunto sempre acaba neles. Há algum tempo tenho saído com um cara só, nada frequente, nada com alma. Por conveniência, e também por culpa da minha preguiça, acabamos seguindo nessa relação, que pra mim, é feita de meia boquices.
É algo fácil demais, a mensagem chega “Quer transar?” “Quero” , dificilmente a resposta é outra pra esse tipo de pergunta. Não queria com ele, mas era o único disponível e já que não ia fazer nada mesmo, resolvi aceitar. Mas isso me cansa. Acho morno e apático, prefiro o caos. Perguntei pra uns amigos se era covardia minha não querer mais esse tipo de coisa e eles disseram que sim, a maioria de seus casos era apenas de sexo, e eles se sentiam satisfeitos. Tudo é mais fácil no universo masculino. Transar é apenas transar e pronto. Eu também pensava assim, mas perdeu a graça.
Com as mulheres da minha vida cheguei aos resultados de que custava muito caro pra ser servida como um lanche rápido, sem arrependimentos das vezes que fui um fast food, em alguns momentos é mais gostoso do que uma refeição completa, concordo. Mas os investimentos não correspondiam mais aos lucros. Estabelecimento fechado para obras, mas sempre pronto para receber clientes especiais.
A menina mais louca do Oeste, amiga de uma vista só, também estava comentando sobre seus garotos, relatou que tinha roubado a alma de poucos, aquele tesão incontrolável que eu digo ser a verdadeira mágica do mundo. Achei um ultraje! Se eu fosse um homem chupado por essa moça, e escutasse isso, daria uns bons tapas e a faria me chupar de novo, só pra que ela sentisse minha alma invadindo a sua. A garota riu e se disse preocupada, ficou de rever nossos rabiscos. Servi de inspiração, ela voltou a escrever, tomamos uns porres de choconhaque e brindamos às nossas maluquices. A entendo perfeitamente. Também consegui poucas almas, houve um tempo em que não prezava a intensidade dos sujeitos, também não me interessava roubar seus espíritos. Isso passou. Ainda bem.


Essa maluquinha apareceu na minha vida por presente de bagunça. Eu normalmente odeio todos, mas ela eu quis, e tenho na minha vida até hoje. Preciso ter todos os dias, porque já é parte de mim. Adoro seu humor, suas histórias repletas de acidez, a forma como me entende e sempre tem alguma coisa boa pra dizer. Nós nos entendemos bem, eu digo que é por que já tivemos o mesmo homem, ela insiste em dizer que sou maluca, mas pra mim é um tipo de conexão. Além de nossos demônios terem se gostado de primeira.
Sempre disse que não dançaria para desconhecidos, não trabalharia em agência, não alongaria os cabelos e não pegaria ex namorado de amiga. Feri todas as promessas, e não me arrependo. Amigas eu perdi algumas, mas ganhei outras, por sinal muito melhores. Ampliei meu quadro de deusas, elas me proporcionaram as melhores coisas da vida, as piores ressacas e os melhores homens. Duas eu consegui numa noite no inferno, e por não ter amnésia alcoólica consegui reencontrá-las. Agradeço sempre por isso. A deusa Strutter sempre apoiou minhas ações, por vezes a troquei por uma bagunça com gente nova, e ela não se importou, queria que eu estivesse inteira e pronta para viver melhor as novas festas que a vida estava me oferecendo.
Nem sempre foi alegria assim, eu perdi gente também. Herdei uma garota que quer me ver morta. Acho um tremendo exagero, mas entendo sua mágoa. Ela namorava um cara, e vivia falando dele, o vi uma vez, numa época cheia de novidades na minha vida, achei legal, mas nada em especial. Eles terminaram, eu algum tempo depois o reencontrei e o li, quis na minha vida, avisei pra ela, eles voltaram e eu entrei na história. Pessoas novas trazem sorte, a sorte vem das mudanças.
Não costumava ir pra lugares em que não conhecia ninguém, mas tive um convite e resolvi aceitar. O papo era bom, achei que valeria a pena. Fui. No meio do caminho pensei em voltar pra casa, minha preguiça de socializar quase sempre me domina, mas segui até o final. Chegando lá, a casa estava cheia de amigos de longa data, e eu, pra variar um pouco, era a estranha e péssima em fazer amizades. Mas deu tudo certo, apesar do susto e do receio. Acho que ali me encantei por histórias simples, sem querer nada em troca, apenas pelo gosto de compartilhar conceitos que talvez para outros não tivessem relevância. De alguma maneira me senti à vontade para ouvir, e também falar, sobre coisas que agradavam. O anfitrião me ofereceu seus causos, seus amigos e sua família. Absorvi sua alma, e também entreguei a minha, assim ficamos ligados. Confesso que pensei na mágoa que poderia causar na amiga, mas não me deixei levar, seria do jeito que tinha de ser. Não se tornou uma amizade meramente sexual, era melhor que isso, me sentia bem ao seu lado e de todas as pessoas que ele aproximou de mim. Era algo que não buscava vantagens, era simplesmente gostar de maneira gratuita. 
Às vezes penso na menina que quer me ver morta, mas não trocaria um segundo daquele dia, ou dos outros que tive, por sua compreensão. Se soubesse como seria o final, teria aproveitado muito mais, teria aceitado tudo facilmente. Acredito que nossa amizade não tenha acabado pela aproximação que tive com seu exclusivo ex-garoto, acabou simplesmente pela troca de interesses. Ela também precisava de sorte, e só gente nova tráz isso.
Entre um gole e outro permaneço dividindo esses causos com o povo que ganhei, perdi o medo de quem oferece novidade, e mantenho comigo apenas aqueles que trazem algum tipo de sorte. Pragas são sempre rogadas, melhor fortalecer meu santo com aqueles que me querem bem.

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