Voltei de Arraial ontem e posso afirmar que não desejo mais outra vida. Tudo lá é lindo, o dia passa devagar, as pessoas são agradáveis e meu ego é inflado em cada passeio. Encontrei gente muito boa, a imagem vendida dos baianos aqui em São Paulo é torta. Adorei o povo, e eu não gosto de ninguém, pra ser bem sincera.
Lá ganhei o apelido de Baronesa, acho que todas as moças do local, turistas ou não, são chamadas assim, mas me identifiquei, achei graça. Já fui chamada de muita coisa, porém foi a primeira vez que tive um apelido nobre. Já fui sol, já fui baleia, já fui demônio, sou a deusa vampira Akasha, sou bicha e travesti, tufão nos tempos de criança, leãozinho por parte de mãe e alguns amigos, Thalita Cristina por parte de padrinho e mais um monte de nomes que insistem em me dar. Baronesa era um apelido justo, combinava com a minha estadia na cidade: Praia de manhã, passeios à tarde e à noite … Vivia sem ter hora pra voltar pra realidade, distribuía sorrisos, não pedia troco de nada e me tornava melhor. Estava reciclada.
As praias tem uma beleza incrível, as cabanas, que nós chamamos de quiosques, estavam repletas de casais normais compostos por homens muito mais velhos que suas mulheres. Isso não me incomoda. Casais em geral me irritam, se eu não faço parte deles. Egoísmo puro, mas enfim… Ouvi a conversa de um par no clube Quinta da Praia, onde aparentemente o rapaz estava curtindo o início de tarde com a moça, mas a infeliz insistia em teclar com outro. Ele estava puto da vida, e com razão, reclamou para a bela “Eu não levanto às 3, pego a balsa às 5, entro na faculdade às 6, e te trago aqui, pra você babar no ovo de outro.” Genial! Indignação aceita e perfeitamente explicável! Pedi outra cerveja e ri com a minha mãe, quase abracei o cara. A mulher não estava fazendo nada que um homem não faria, estar com um e pensar em outro, mas não executou direito. Talvez quisesse fazer birra, entretanto, não foi uma atitude elegante. Em seu lugar eu aproveitaria tudo, ele tinha conseguido bônus, porém, como estava lá de filha, apenas observei e jurei nunca fazer o mesmo.
Os grupos de amigos conversando pareciam com os meus, falavam de seus casos, seus cigarros, seus porres e viagens. Eu estava com saudades de reunir meus putos, mas também precisava de um tempo longe deles, contudo, cada ocasião vista na cidade, me lembrava um de meus demônios e acabei sonhando com o dia de todos nós integrando a trupe dos bacanas de Arraial d’ Ajuda. O lugar ficaria ainda mais mágico.
A Baronesa encantou o povoado. O Palhaço Calcinha e a cachorra Maluca elogiaram a lua de mel de sua mãe. Tudo na Mucugê era um sonho, o cheiro de pitanga no Beco das Cores não parecia real e a Broadway com a 5th Avenue eram de um charme envolvente. Ali era o fantástico mundo de Thali.
A viagem aconteceu da maneira que as melhores coisas da minha vida acontecem, na incerteza, na dúvida. A primeira viagem de avião me lembrou a primeira vez que pisei no palco, a primeira vez que entrei na casa de amigos. O medo imenso de acontecer algo errado resulta em sensações indescritíveis… Ansiedade besta, no final tudo ocorre de maneira deliciosa.
Até a volta, Arraial. A Baronesa será eternamente grata pelos melhores cinco dias que teve em 2015.
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